quarta-feira, 23 de junho de 2010

Carta ao Matador


Querido Waldisney,
Tudo bem? Por aqui as coisas estão ótimas...
Claro que não estou me referindo a sua esposa, pois, desde que você foi preso, ela se prostrou numa cama e não levanta para nada. Mas seus filhos estão muito bem. O Marcates Ney e o Leno estão tomando conta do açougue. Os negócios vão de vento em popa. O Neco, por outro lado, ficou de recuperação em quase todas as disciplinas, mas tirou 10 no projeto da feira de ciências. Ele dissecou um cachorro e explicou minuciosamente o sistema urinário dos mamíferos. Sentimos saudade do Baleia, nosso estimado Pastor Alemão, mas tudo em prol da educação das crianças.
A louca Ritinha não deu mais noticias. Desapareceu! Mas um ti-ti-ti ronda a casa de cômodos. Dizem que foi vista na garupa de uma motoca, com roupa de plástico e Ray-Ban na cara, assaltando caminhoneiros. Mamãe acha que é fofoca, mas eu acho bastante provável.
Por falar em Mamãe, ela está muito bem. Desde que teve aquele AVC (um sufoco para todos nós!) os clientes aumentaram. Ela ainda tem muita dificuldade para abrir as pernas, mas a sua boca ganhou uma maciez que esta encantando a freguesia.
Quanto a mim, estou fabulosa. Estou gradativamente me livrando dos entorpecentes. Não cedo mais à cocaína, nem aplico nada. Mas nos dias ímpares, para evitar aquela terrível convulsão, cheiro gás de geladeira.
Saudades, querido irmão. Ainda acreditamos na sua inocência. Mas se você realmente tiver matado a Lisandra. Tudo bem!, ela não era mesmo boa bisca.
Aguardo sua resposta,
Dionne.


Saulo Sisnando
escrevendo como Saulo Sisnando

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