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O poder que as palavras não têm.

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Para Neyara, na esperança de que, um dia, uma voz atenda do outro lado da linha. Sempre ouvi dizer que palavras tinham poder. E por isso decidi ser escritor, pois quis acreditar que minhas palavras poderiam mudar o mundo. Mas hoje, enquanto escrevo este texto, meu pai está doente e, de repente, toda a fé que tive na minha profissão se perdeu. Afinal eu sempre rezei para ter alguém do meu lado na hora de sua morte. Mas cá estou eu: sozinho! Pois meus amores me deixaram e minha mãe morreu cedo. E embora eu ainda sinta a presença de todos, eles não poderão segurar minha mão, quando meu pai der seu último suspiro. E se essas benditas palavras tivessem poder, minha mãe estaria aqui e eu faria alguma destas minhas viagens ao seu lado e a perguntaria se ainda me ama – mesmo após a morte – e se ela me acompanha de pertinho ou se me vê apenas de longe, como se nós – os vivos – fossemos pontos brilhantes no firmamento do paraíso. E finalmente abandonaria aqueles meus atos aluci...

Saudade em tempos de facebook

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Para meus amigos que sentem saudade Antes eu me perguntava o porquê de sentir tanta saudade. Saudade de tomar banho de mangueira no quintal, pois agora moro em apartamento. Saudade do cheiro do chá de camomila e do colo de minha avó. Saudade de quando meu avô saía de casa e trazia balas de café e de quando ele falava italiano comigo, mesmo sem eu entender nada. Mas um dia desses, descobri que eu nasci no Dia da Saudade - 30 de janeiro. E numa dessas obras do acaso, meu pai me registrou com o nome de Saulo. O que faz com que mais da metade do meu nome seja dominado pela saudade. Sau(lo)dade. E hoje, a saudade, que sempre foi três de minhas cinco letras, tomou conta de todo o meu alfabeto. E desde que tu foste embora, eu fiquei sem nada. Afinal saudade é coisa que ninguém tem. Saudade é não ter! Pois não se relaciona com o amor que ainda tenho, mas com o sentimento que tu tinhas por mim... Mas não tens mais. Saudade era o lugar onde habitavam teus gestos, teu toque, ...

PARA UM MENINO QUE DANÇA

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Parafraseando o texto de Vinícius de Moraes . Porque és um menino que dança, eu te prometo o meu amor. Pois danças tão lindamente e mexes mais um lado de que o outro. E te amo porque sinto que quando tu bailas não te dissolves em moléculas... Já que teus movimentos em nada repelem a essência, mas unes sensações e sentimentos, edificando a nossa volta uma muralha que nos protege da mais violenta onda do mar. E tua dança parece ser feita da mesma eletricidade que corre no meu sistema nervoso... Porque teus movimentos não são calma ou quietude, mas são meu frêmito... Minha paixão! Tua dança é a eletricidade que nos conecta e nos enlaça num só corpo etéreo. E cada vez que bates teu tênis colorido no chão, meu peito treme e eu sinto como se (nesse segundo) tu restituísse ao universo a quantia cósmica que roubamos de Deus no ato da criação. E porque és um menino que dança, tens essa mania de ser tão sentimental, chorando por motivos desconhecidos, e voltando para...

Eu te tirei de minha prece diária

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depois de confessar para minha amiga Martinha, confesso para o mundo. Tu, decerto, pensarás que é bobagem... Não é! Mas finalmente consegui te tirar de minha prece diária. Chorei. Te confesso. Chorei, sobretudo, quando disse aquela frase “se for conforme vossa santíssima vontade e para a salvação de minha alma” , pois, por muito tempo, pensei que nosso namoro era conforme a santíssima vontade. Não era. Ok. Pode ter sido. Não é mais. Não te preocupes... Não pedi teu mal. Nem te chamei de nomes feios. [Tenho reputação a zelar com a santa.] Apenas censurei teu nome. Falando mentalmente Piiiiiiii no lugar dele. Até porque ele já me parecia parte integrante da reza, e toda vez eu tentava te tirar de lá, assim, como se por esquecimento Eu me perdia... naquela parte que diz “por séculos e séculos amém” Também nem chorei muito. Só um pouco. E nem fiz barulho. [tu sabes que sempre soluço alto quando a primeira lágrima desponta no olho] Mamãe, no quarto ao lado, ...

Saulo Sisnando: "A procura de sua molécula perdida"

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Entrevista feita por Landa de Mendonça e publicada no blog Meninas Convencidas , em 16 de novembro de 2011. Hoje aqui no nosso Blog, eis que consigo realizar um sonho antigo: entrevistar um dos mais atraentes (em todos os sentidos! hehehehe) e talentosos artistas da minha geração, meu amigo e meu querido Diretor, Saulo Sisnando ! Definir Saulo Sisnando? Bom, eu só me arrisco em classificá-lo como “Adorável”! Escritor, Dramaturgo, ator, mestrando e funcionário Público do Tribunal de Justiça até às 14h, este Cearense/Paraense formou-se em Direito pela Universidade da Amazônia no mesmo ano em que concluiu o curso Técnico de Ator na Escola de Teatro e Dança da UFPa. Teve vários contos premiados e publicados pela UFPa entre 2002 e 2003. Em 2005 lançou seu primeiro livro, o “Puzzle: tenha fôlego para chegar ao fim!”, uma fantasia de terror infanto-juvenil (Editora Novo Século). Em agosto de 2007, sem grandes ambições e montado com custo quase zero, estreou ...

Minha carteira nova

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Depois de horas e horas ouvindo a música de Clarice Falcão , decidi escrever uma coisinha do tipo: romântico nonsense . Comprei uma carteira igual a tua. Sim! Uma carteira daquelas... De colocar dinheiro! Comprei porque não tinha uma foto 3x4 tua para colocar no plástico de minha outra carteira. E mesmo se tivesse... Não teria mais como explicar para os meus amigos as razões de ainda ter uma foto. Ora, ora. Assim, comprei uma carteira igualzinha àquela tua. Ou quase igual, pois a cor é diferente. [Mas era a última da loja]. Comprei porque assim não preciso mais de uma foto tua no plástico. Tu és o próprio plástico. Então, te coloco no bolso de trás. Às vezes, no da frente. Dirijo contigo entre as pernas. E, vezenquando, te encaro vários minutos e te beijo. Isso tudo sem ninguém notar que beijo a ti não ao dinheiro. [Estou com fama de avarento por causa destas coisas]. A carteira é meio estranha. O dinheiro vive caindo. Dia desses, perdi 150 lá no Caf...

Eu te perdoo por eu te amar.

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Um simples poema de amor... dedicado às estrelas do céu. Eu te perdoo por eu te amar. Eu te perdoo por não teres dito, em nosso tempo: eu te amo (porque foste o eu te amo em forma de corpo .) No teu dom de calibrar a energia do cosmo e equilibrar as luzes do mundo diante dos meus óculos. Nem sendo matiz... Nem sendo azul... Mas sendo ambos: o entretom e o tom. E pela tua mudez; por que... O que são palavras de amor perto do toque de quem se ama? Eu te perdoo por teres sido exatamente quem tu eras... E por eu ter sido como sempre fui... E por juntos termos crido que 'eu e tu' poderíamos ser apenas um nós. Desfragmentado. Eu te perdoo por não teres sido o tu que eu pensei que tu eras. E eu te perdoo por seres um tu encantado muito superior às minhas expectativas mais elevadas... [Pois no magnetismo de teu olhar preto, te ter ao meu lado era entender a força que mantinha o elétron girando em torno de um núcle...