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SOBRE AMAR EM SEGREDO

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Para alguém sem nome. Então você decidiu que nunca mais se apaixonaria, que guardou mesmo a viola no saco e percebeu que esse lance de amar não era para você... Pois o destino parece realmente te querer sozinho. Se levarmos em consideração a matemática – que é uma ciência e-xa-ta –, se apaixonar tem tudo para dar errado! Ora, com esses bilhões de pessoas, que transitam pelo planeta Terra, encontrar a sua alma gêmea... Aquela que te completa... A metade da laranja... OYin do seu Yang... Parece mesmo ser uma tarefa bem impossível. Porém... Também não seria improvável que, com tantas almas andando por aí, você nunca mais encontrasse alguém com um sorriso tão lindo? É... Contrariando a matemática, esse momento chega! E num belo dia, numa quinta-feira qualquer, no início da tarde, quando você mudou os planos, faltou ao inglês e decidiu ir (sei lá) para a academia, você encontrou alguém que é exatamente como você sempre sonhou. Não que seja li...

EU TE AMO EM NORUEGUÊS

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Tenho uma reivindicação: precisamos de uma nova palavra para substituir “amor”. AMOR. Quatro letras: duas vogais perfeitamente cruzadas por duas consoantes. Não! Não! Não! Não sei quando a vocês, mas eu não consigo amar em apenas quatro letras. É impossível, o amor nem é tão curto, nem tão simples assim. Por isso, a partir de hoje, eu só vou amar em norueguês: Kjærlighet. Sim! Desculpem-me os nacionalistas, mas parece que só mesmo os noruegueses sabem o quanto é complicado amar. Para a literatura, o amor é um fogo... Não um fogo qualquer, mas de um tipo que arde sem se ver. Para o cinema, ele é mais simples, é apenas “nunca ter de pedir perdão”. Para a vida real, nossa... Ele é puramente indefinível. Dizem que ele é único, ímpar, que só acontece uma vez e é para sempre. Mas o que seria dos divorciados se o “para sempre” fosse duradouro? O amor pode até ser eterno, todavia, sem dúvida, ele é malandro, bandoleiro e muito bandido. Há homens que amam somente a esposa... Mas há aq...

SOBRE O FIM

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Para minha irmã, e para Michele . De todas as minhas manias, nenhuma me define mais do que aquela de abandonar livros no meio... De não ver os finais dos filmes... De não deixar o CD rodar até o final da faixa. A imagem de um círculo incompleto não me angustia. Não me tortura não saber quem matou a mocinha ou não ver o vilão preso. O que me corrói, ao reverso, é chegar ao fim. É virar a última página. É ver a bolha de sabão estourar. É contemplar os créditos subindo ordenadamente. O que me mata é levantar no final da sessão e deixar a cadeira vazia, é abandonar o saco de pipoca seco, é tomar o refrigerante até ouvir aquele som irritante da última gota. É, meu grande amigo, me dói deixar que as coisas morram. Prefiro pensá-las sempre pendentes. Ausentes, mas possíveis! Opto por parar frases em vírgulas, nunca em pontos. Pois sou sonhador e gosto continuar vivendo a espera de que tu possas terminar minhas sentenças. E o 'hoje' não seja o fim... Nem começo,...

A REINVENÇÃO DO AMOR

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A REINVENÇÃO DO AMOR –  O amor não como aconteceu, mas como você se lembra  – O que você faria se tivesse a chance de viajar no tempo e rever sua última história de amor? E se, nesse momento, você descobrisse que, desmentindo suas recordações, o seu ex-amor não foi realmente como você imaginou? Será que, com o passar do tempo, você não descartou as péssimas lembranças, as brigas, os pais possessivos, as mães loucas, os atrasos constantes, o ciúme doentio e se concentrou apenas nos pontos positivos? Depois de espetáculos macabros e sangrentos, como “ O Incrível Segredo da Mulher-Macaco ”, encenado no Rio de Janeiro por mais de dois anos e elogiado pela revista Veja-Rio, e “ O Misterioso desaparecimento de Deborah Rope ”, cerne da dissertação de mestrado do diretor, Saulo Sisnando volta às comédias românticas – tais como “ Cartas para Ninguém ” e “ Útero ” – e pede à plateia para reviver suas histórias de amor como elas aconteceram, tirando as máscaras de seus ex-...

o conto triste de quem ficou

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Hoje faz dois anos que tu morreste, meu amor. E embora dois anos pareça muito tempo, na nossa casa nada mudou. Os móveis estão no mesmo lugar de sempre, as paredes ainda estão pintadas de azul. Tudo esta igual! E eu... eu ainda continuo dormindo apenas do lado direito da cama e, às vezes, me pego colocando dois pratos na mesa. O canário morreu!... mas já comprei outro para pôr na gaiola. Os peixes... sempre compro da mesma espécie: são cinco peixes dourados e dois daqueles miúdos. Um aquário, um universo permanente. Estático. Eu emagreci um pouco, as roupas ficaram frouxas e eu tive que comprar novos vestidos. Todos vermelhos!, pois era a cor que tu sempre disseste que me caía bem. Ainda ando com a aliança presa no dedo. Semana passada aconteceu uma coisa engraçada. Fui ao médico e, na saída, ele mandou lembranças para ti. Não tive coragem de dizer que já tinhas morrido, meu amor. O telefone parou de tocar. Nossos amigos não ligam mais... não perguntam mais se estás mel...

Para os infinitos

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Para o Pedro , na certeza de que sempre terá o abraço de seu pai. Então tudo passa, e o Pedro - o filho da sua melhor amiga - nasce. E você descobre que coisas grandiosas acontecem diariamente no mundo. E coisas lindas e minúsculas também. E em quase dois anos, alguns amigos vão fazer doutorado no Rio de Janeiro, e outros voltam de Macapá, e outros engravidam, e uns abortam, e muitos parem. E um vem passar a Páscoa com a mãe, e duas querem que você escreva peças de teatro para elas, e aquele emagrece para ficar com barriga-tanquinho, e qualquer um se muda para a Austrália para esquecer um amor (sem conseguir). E no meio de tanta vida você se vê vivendo muita coisa. Nesse tempo em que estão separados, você foi à macumba e descobriu que era filha de Oxalá com Oxum, e se viu devota de Santa Teresinha, e aprendeu a dançar – para que você não precisasse mais dos passos alheios, mas tivesse a sua própria coreografia. E começou a psicoterapia: fez constelação familiar,...

para sempre

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para I.C . Só existe uma coisa pior do que sentir saudade: não poder mais senti-la. Pois para tudo há um tempo! Houve um tempo para te amar e outro para te esquecer... E estes dois tempos já se foram e não tenho mais o direito de sentir tua falta. Todavia, quando se trata do meu amor por ti, eu talvez tenha aprendido a conjugar os verbos num tempo estranho. Um tempo que não é o infinitivo, mas é infinito. Um tempo verbal que não habita no indicativo nem no subjuntivo... Que perdura no mais que perfeito... Um tempo chamado para sempre . Pois para sempre terei direito de sentir saudade tua quando eu ler um poema da Bruna Lombardi ou quando ouvir uma música do Texas. E, n este tempo, não importa quantos amores tiveste depois de mim, nem se estamos separados por passagens aéreas ou por olhos que fingem não se encontrar. Pois este é um tempo invariável. Estático. O que foi nosso, para sempre será. As nossas lágrimas – haja o que houver – para sempre serão nossas; e aqueles teu...