O SONHO: A VIA REGIA DA SAUDADE.
Tenho mantido a mania de anotar meus sonhos. Começou como um exercício teatral direcionado ao meu grupo e depois acabou virando rotina. Como um músculo que, quanto mais se exercita, mais se desenvolve, tenho sonhado — e lembrado — cada vez mais. E ontem sonhei com a Gisele. Fazia tempo que ela não me visitava em sonhos — porque, em pensamentos, é impossível não a ter sempre por perto. Todos os dias, mais de uma vez, passo de carro pela Avenida Duque de Caxias e tenho, num lapso, a sensação de que, como sucedia em outro tempo, ela estava me esperando em frente às Americanas. Como é típico dos sonhos, dezenas de significados, condensações e símbolos se materializaram à minha frente: saudade, raiva, culpa, medo, alegria. O seu sorriso, como na vida, ainda era imenso. Mas me deterei a um fato: eu a abracei. Abraços são coisas difíceis para mim. Aos 21 anos, já na minha segunda terapia, a dra. Suely me disse que eu mantinha um braço estendido à frente do corpo, sempre impedindo as pes...