terça-feira, 9 de junho de 2009

QUATRO VERSUS CADÁVER


San Francisco – Califórnia, 1944. Um corpo é encontrado numa biblioteca. Três suspeitos contemplam o defunto: uma loira má, um galã dissimulado e uma criada. Um deles, sem dúvida, é o culpado... Mas quem? Qual arma utilizou? Quais foram os motivos sórdidos, que levaram o vilão a cometer este assassinato?
Este sombrio argumento, podia gerar, no mundo real, uma história triste e revoltante, capaz de figurar por semanas na mídia. Podia, por outro lado, gerar algum filme americano com Rita Hayworth no papel principal (bom, na verdade, este filme já foi feito). No entanto, em Belém, este argumento deu origem a nova peça do diretor Saulo Sisnando. Se, pelo argumento, já valeria o ingresso, imagine agora juntar no mesmo espetáculo três dos maiores escritores paraenses. Foi isso que aconteceu.
No início do ano, o escritor e diretor teatral Saulo Sisnando desafiou aqueles que considerava os mais expressivos autores teatrais paraenses, Edyr Augusto Proença, Carlos Correia Santos e Rodrigo Barata, a solucionar, em pouco menos de 20 minutos, um crime quase insolúvel. Assim surgiu o espetáculo “Quatro Versus Cadáver”.
Carlos Correia Santos, premiadíssimo autor paraenses, dono de peças como “Julio Irá Voar”, “Nu Nery” e “uma Flor para Linda Flora”, mergulhou na metalinguagem e na literatura de Agatha Christie, criando uma trama surreal, que brinca com o próprio teatro e com o ego dos atores que estão em cena.
Edyr Augusto Proença, autor de inúmeros livros e peças como “PRC-5”, “Laquê” e “Toda Minha Vida por Ti”, mergulhou no universo do cinema noir americano, criando uma história que homenageia o clássico de John Huston “O Falcão Maltês”. A trama, digna de ser interpreta por Humphrey Bogart e Lauren Bacall, conecta Belém a San Francisco, através de uma pedra preciosa, com funções mágicas, conhecida como “o misterioso Muiraquitã Verde”.
Indo às origens do cinema noir, Rodrigo Barata, levou a trama à Europa, e a um convento sombrio, rigorosamente comandado por Sister Bloodmary, de longe a maior vilã de todo o espetáculo. Na trama, dois irmãos gêmeos, Celeste e Justin, tramam a morte do adolescente mais rico de San Francisco.
Os vinte minutos restantes, ficaram sob o responsabilidade do próprio Saulo Sisnando, que construiu uma quarta história, que alinhava todas as outras. Uma trama desmiolada, inspirada no famoso jogo de tabuleiro “o Detetive”, bem ao estilo do autor de peças como “Útero”, “popPORN” e “Cartas para ninguém”, que mistura numa mesma sopa, o Muiraquitã verde, a Metalinguagem, presente na peça de Carlos Correia, e, claro, Sister Bloodmary, a freira demoníaca criada por Rodrigo Barata.
Quatro Versus Cadáver não é apenas uma peça, ao longo dos seus oitenta minutos, o espectador assiste quatro histórias, extremamente cômicas, nas quais sete atores se revezam em papeis de gêmeos, freiras, viciados, ladrões, marinheiros, lolitos,heroínas, jogadores, pesquisadores, etc.
Um espetáculo que, além de fazer rir do começo ao final, é uma oportunidade única de conhecer, de uma única vez, um pouco de quatro dos mais presentes autores teatrais paraenses. Uma história complicadíssima cheia de reviravoltas malucas, que vai deixar os espectadores atentos até o ultimo minuto, quando descobrirão que (certamente!) o assassino não será o mordomo.
Todos os sábados e domingos de Junho/2009
No “Espaço Cuíra” – Riachuelo esquina com 1º de Março
21h00 (sábados) e 20h00 (domingos)
Informações (91)81773344

FICHA TÉCNICA:
Direção Geral:

Saulo Sisnando
Textos:“Quem matou minha personagem?”, de Carlos Correia Santos
“O caso do Muiraquitã Verde”, de Edyr Augusto Proença
“O estranho”, de Rodrigo Barata
“A Querida Irmã”, de Saulo Sisnando
Elenco:Adelaide Teixeira
Gisele Guedes
Luíza Braga
Marcelo Sousa
Rony Hofstatter
Saulo Sisnando
Flávio Ramos – como “o cadáver”
Contra-regra:Nayla Portal
Iluminação:Sonia Lopes
Sonoplastia:Leonardo Cardoso

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mulher PODE!


Tenho amigas que batem no peito e dizem: “eu adoraria ter nascido homem”.
O quê? Como assim?
Deus me livre e guarde! Eu adoro ser fêmea, ser mulher, ser mapô. Porque mulher é um bicho que pode!
Mulher pode usar vestido, calça comprida, bermuda, pantalona, corpete, bustiê, tubinho, bota, turbante, brinco, fivela. Pode usar paetê, lamê, miçanga. Pode ser perua, romântica, executiva, fashion. Tem pra todo gosto!
Agora, imaginem se, do dia pra noite, eu virasse homem e me proibissem de usar minhas pulseiras, argolas e colares. Sim! Porque os homens estão redondamente enganados se pensam que usamos isso para encantá-los. Tolos! Usamos para nós mesmas. Eu adoro ser do mesmo gênero da Carmem Miranda.
Pois nós, as mulheres, podemos “até” ser feinhas. É pra isso que existe maquiagem. A gente pode usar blush, sombra, lente azul, cílio postiço. Pode pintar cabelo, usar aplique, travessa e até flor na cabeça. Pode ser loira de manhã e morena de noite. E homem... Pode?
Se mulher não tiver pescoço... Abusa no decote! Se for magra, usa tudo que for justo, brilhante e claro. Se for gorda: cores escuras! Muito peito: gola V. Pouco peito: sutiã de arame. Muito quadril... Ah! Usa um vestido tipo trapézio.
Mulher pode crescer com sapato alto, pode fazer charme com cabelo. Mas e os homens? Coitados, não podem nada!
Mulher pode ser delicada ou rigorosa. Pode ser romântica e receber rosas. Pode ser mais ousada e mandá-las. Pode não saber dirigir, pode inclusive exigir que abram a porta do carro e puxem a cadeira para sentar à mesa. Metidas, não? Pode ser presidente, desembargadora, física, consultora de uma multinacional e pode, se assim o desejar, ficar em casa e ser Amélia. Afinal quem disse que é proibido?
Homem tem muito mais regras para seguir. É muito mais cobrado. Não pode faltar trabalho por causa de cólicas terríveis, não pode justificar os dois quilinhos por causa da retenção de liquido. Não pode dizer para todo mundo que não é estresse: na verdade, é TPM.
Homem não muda, não pode, não tem clímax. Não tem transformação. Quantos filmes você já viu com homens feios que ficam bonitos? Um ou dois? Mas achar um filme onde uma mulher bonitinha fica divina, eu cito uns três milhões. Eles não podem surtar, não podem dançar sem se preocupar com o fato dos outros o chamarem de viado. Eu acho que se homem não tivesse tanto medo de parecerem viados, eles até poderiam ser divertidos.
Mulher não envelhece nunca, já dizia sabiamente minha mãe. Que, por sinal, é novíssima! Nem pintar cabelo os homens podem. Se eles têm mais de quarenta anos e pintam as madeixas: ou são boiolas, ou são sósias do Silvio Santos.
É bom demais ser mulher e poder escolher, a cada dia, que mulher a gente quer ser. É bom pra fazer homem de besta. Porque isso a gente também pode fazer... E, cá entre nós, é o que fazemos melhor.




Saulo Sisnando
escrevendo como “Maria Eduarda