segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não fujas de mim



Escrito para a pessoa ausente e após tanto amor
na apresentação do grupo Verbus


"Não fujas de mim neste dia, pois ha horas a serem vividas, lábios a serem tocados e pudores a serem desvendados. Tende piedade desta amadora e não resignes ao altruísta temor de me fazer sofrer. Pois o estorvo é meu. Esteja comigo mesmo que instigado pelo egoísmo, sem se inquietar com meu tormento intimo. Pois, desde que te conheci, esta aflição que embebeda meu seio é o ultimo sobejo que inda me pertence e que é somente meu. Sem duvida, amado, neste óbolo que é nosso amor, as duas faces são doloridas: se ficares, não ha paz; se te fores, um turbilhão de dores. Desse modo escolho a nossa exaustão diária. Prefiro Sofrer junto a padecer avulsa. Afinal não nasci para ser só. Embora o destino disso não saiba”.


Saulo Sisnando
28.11.2010
23h56min

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Amo-te





Para meu desvairado amor,
Como pedido de perdão pelo nosso
Carinhoso, mas tão mal feito sexo.
Ainda te amo.






Amo-te como horas que não passam
Aprisionando-me num momento estanque recheado de encanto e martírio


Amo-te como o azul
[melancólico] cheio de dor
Que explode em deslumbradas nuanças quando tu danças
Naquele teu dom de colorizar senis fotogramas diários


Amo-te pelos teus sonhos, querendo-te assim pelo que nem és
E admirando-te como o amanhã
[impreciso] sem saber se seremos nós,
Como um presente embrulhado sob um pinheiro branco
Aguardando a hora de se tornar clímax.


Amo-te, enfim, pela morte que me causas diariamente
E pela vida que colocas em meu peito cada vez que eu te toco.

Saulo Sisnando
23.11.2010
23h22min

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E se...





Ontem, nesta ansiosa angústia que tem sido minhas noites, tive um sonho estranho.
Minha mãe apareceu para mim. E ela estava jovem. Numa juventude tão perfeita em detalhes que é impossível se reproduzir, quando envelhecemos junto das pessoas.
Com aquele olhar de viés, que me acompanhou por toda a vida e que hoje me faz tanta falta, disse-me que se eu estava tão triste... Se tudo tinha dado tão errado... Ela me daria a chance de fazer de novo. Reviver tudo. Recompor meu caminho com novos detalhes.
Deslizou as mãos pelas coxas, como se alisasse as dobras do vestido de florzinha, e falou-me que se deitasse em seu colo e fechasse por um instante os olhos, ao acordar seria uma criança.
Pensei em regressar e soube que se retrocedesse, eu esqueceria as coisas ruins, mas também não saberia das felicidades que tive na vida.
Se eu pudesse não ter conhecido o João, e não tivesse vivido tantos momentos difíceis: onde estaria o Flavio? Afinal meu melhor amigo apareceu graças ao mais triste momento de minha vida.
Entendi que a vida é uma linha que não se repete. A nossa história é uma fileira tênue desenhada por uma imprecisa sucessão de coincidências e gloriosos acidentes. Se voltássemos no tempo, decerto os acasos seriam diversos. As conquistas e perdas, outras.
Se eu pudesse pular as recordações ruins deste meu passado, não chegaria às boas memórias e conquistas deste meu presente.
Quem me garantiria que eu estaria na mesma sala da Neyara?, que, por um imprevisto, foi transferida de turma na sétima série e até hoje conversa diariamente comigo pelo fone.
Se eu tivesse feito teatro desde cedo... Se eu tivesse ido pro Rio jovem... Onde estaria o Miguel?
E se uma gripe me tivesse privado de conhecer o Marcus, um acidente tivesse tirado a vida dos meus pais e um esquecimento me tivesse feito marcar questões erradas no concurso do T.J.E. e não conhecesse a Cris, a Tânia, a Dra. Laura.
Decidi, de coração partido, não deitar no colo da minha mãe jovem e acordei adulto. Certo de que não sou o mais feliz, nem o mais importante, nem o mais belo, nem o mais magro. Porém com muito apego e carinho às coisas e pessoas que estão a minha volta. Sei que se tivesse voltado no tempo, outras boas lembranças também existiriam. Mas não consigo imaginar minha existência sem estes meus amigos, que o acaso colocou no meu caminho.
É bom descobrir que você tem orgulho das próprias lembranças. É maravilhoso ter um sonho destes e se deparar com uma vida com mais compensações do que desenganos.
Obrigado, meus amigos, do fundo do meu coração, por estarem ao meu lado nesta existência. E que permaneçam juntinhos a mim por muito tempo, me ajudando a enfrentar os novos e desconhecidos acasos que meu destino ainda reserva.

sábado, 6 de novembro de 2010

A equação do amor ao fim


Se temos de - [nos (dissolver em moléculas)] = que pelo menos seja assim + em (SlOw MOtion)
.
.
Saulo Sisnando, que nunca entendeu de
Matemática,
escrevendo como
Saulo Sisnando

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A crônica do amor platônico ou A mais complicada matemática


Ô coisinha complicada é esse tal amor. Você já pensou em quantas pessoas existem na sua rua ou no seu bairro? Centenas, certo? Pense então na cidade em que você vive, deve haver milhões de pessoas mais ou menos iguais a você. Se pensarmos no país, serão centenas de milhões; e no mundo, então, nem se fala!, são não sei quantos bilhões. Imagine que nessa infinidade de pessoas que existem, você escolheu ‘uma’ para amar. Agora vamos passar pela cabeça a remota possibilidade de que mesmo existindo esse oceano de pessoas, ocorreu a conjunção cósmica perfeita que fez o ser que você ama te amar de volta. Matematicamente parece ser um resultado bem improvável pensando nesses bilhões corpos que passeiam pelo mundo. Eu creio que é por isso que tem tanta gente sofrendo de amor (escrevo este texto porque sofro por um!), pois é uma sorte danada você amar exatamente a pessoa que te ama. Se você é um dos felizardos dessa loteria mais difícil que a MegaSena: agarre esse homem, case logo e tenha muitos filhos, porque a sorte pode não bater de novo na sua porta.


Agora se você é um dos sofredores, um dos ímpares dessa bizarra matemática; resta esperar! Esperar o telefone tocar, mesmo tendo certeza de que ele não vai ligar, resta abrir a caixa de e-mails a cada 5 minutos para ver se ele não respondeu aquele cartãozinho virtual gracioso que você enviou anexado a uma mensagem milimetricamente calculada. E quando chega o correio (o tradicional), é aquele alvoroço, querendo ver se ele não mandou alguma carta, mesmo sabendo ele não faz a menor idéia de onde você mora e mesmo que tenha a certeza de que ele não é tão romântico a ponto de mandar uma carta de amor; pelo simples motivo que ele não te ama! No entanto, não custa nada sonhar com isso, pois não há nada mais belo que uma carta de amor. Enfim, resta sofrer! Resta mandar mensagens pelo celular perguntando como ele está passando (e ele nunca responde!), resta dirigir prestando bastante atenção pelas calçadas porque um dia ele disse que te viu passando de carro, resta se arrumar com a roupa mais bonita para passear no shopping, porque da última vez que você o encontrou foi na praça de alimentação do Iguatemi.


Há horas em que se tem certeza de que tudo isso é karma de alguma encarnação passada, onde ele foi arrasado, espezinhado, pisado e maltratado por você. Pronto, é isso! Agora nessa vida você é quem vai ter de pagar pelo que fez. Só mesmo um karma de vida passada para que ele sempre te encontre no seu pior dia... Quando você foi ao cinema com aquela blusa vermelha de listras amarelas que te deixa enorme de gorda (um bolo-fofo), quando ele vai justamente assistir aquela peça de teatro ridícula que você fazia parte e todos os seus amigos comentaram que você parecia uma sapatão. Só mesmo karma, para explicar a sua voz que treme tanto todas as vezes que você o encontra; só karma, para fazer com que na hora H você esqueça todos as perguntas e opiniões que fariam ele te achar tão inteligente. Só mesmo sendo um karma dos brabos!


Apesar de eu odiar frases conformistas, na mesma proporção em que odeio as vidas passadas, creio que no final vai acabar dando certo e alguém lá em cima deve estar guardando alguma para você. Sei lá, você vai ganhar o prêmio jabuti por causa do romance que escreveu inspirado nesse amor; vai emagrecer, ficar linda e ele vai cair na real de que sempre te amou; ou talvez algo melhor, você vai lá na farmácia comprar algum remédio para as suas arritmias que recomeçaram e de repente pára ao seu lado um homem maravilhoso (que também está sofrendo de amor!). E ele esta ali, parado, comprando um remédio para dor de cabeça e, sem segundas intenções, você acaba ensinando aquele chá milagroso que a sua mãe sempre fazia. Vai cada um para a suas casas e após alguns dias ele te liga para dizer que nunca mais sentiu aquelas terríveis dores e que deve essa grande felicidade a você. Então em 5 minutos no telefone, já deram várias gargalhadas, você já sabe que ele detesta purê de batata e que, como em seus sonhos, ele lê poemas do Mario Quintana. Bem, aí marcam um cinema, ele a vê com uma roupa maravilhosa e com todas as suas opiniões e frases feitas que ele finge não notar que são feitas só para te agradar. Depois disso, vocês mandam pras cucúias a dificílima matemática dos milhões e descobrem que nem precisavam ter sofrido tanto.


Mas se esse lance de vidas passadas for sério mesmo, permaneço fiel àquela frase conformista. Dê um tempo, espere, faça coisas: matricule-se em aulas de fotografia, escreva bem muito, dedique-se ao estudo do Glam-Rock inglês ou mergulhe na oceanografia. Leia muitos livros de astronomia, tente entender as várias dimensões do universo e a teoria da Ressonância Mórfica, viaje, veja de perto os quadros do Francis Bacon. O tempo vai passando, passando, e você pode ir embora. Se mudar lá pro Nepal depois que você passou no Instituto Rio Branco e virou embaixadora. Talvez ele vá mesmo lá pros Estados Unidos fazer aquela pós-graduação em reengenharia de software, talvez ele se mude para sempre pra Dinamarca. Vão ficar vivendo, independentes um do outro, até o belo dia em que, numa lotada sessão de cinema, aquele belo coroa alvo senta ao seu lado e você se vira e reconhece aqueles olhinhos de foca, aqueles dentes que não estão mais presos no aparelho e, acima de tudo, as covinhas que ainda são lindas. Ele vai olhar para você e não te ver com a sua melhor roupa (mas também não vai te ver com aquela blusa vermelha medonha!), as frases prontas continuarão fugindo da memória. Mas vai gostar de você mesmo assim, então vão chorar pelo tempo perdido e se consolar pelo grande caminho de tijolos amarelos que ainda resta pela frente, caminharão de mãos dadas, num passo acertado de quem não tem tempo a perder. Um belo final, não?! Só precisa ter paciência.

Portanto, meu amor, depois disso tudo, só me resta dizer uma última coisa: “eu estou te esperando nalguma sessão de cinema!”
Saulo Sisnando escrevendo como
Maria Eduarda

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Miau #4


Te gosto mais do que eu poderia,
mais do que eu deveria,
mais do que eu gostaria.

Enfim te amo na medida que tu mereces.
Saulo Sisnando escrevendo como
Saulo Sisnando