domingo, 20 de novembro de 2011

Eu te tirei de minha prece diária





depois de confessar para minha amiga Martinha,
confesso para o mundo.

Tu, decerto, pensarás que é bobagem... Não é!
Mas finalmente consegui te tirar de minha prece diária.
Chorei. Te confesso.
Chorei, sobretudo, quando disse aquela frase “se for conforme vossa santíssima vontade e para a salvação de minha alma”,
pois, por muito tempo, pensei que nosso namoro era conforme a santíssima vontade.
Não era.
Ok. Pode ter sido. Não é mais.

Não te preocupes... Não pedi teu mal. Nem te chamei de nomes feios.
[Tenho reputação a zelar com a santa.]
Apenas censurei teu nome. Falando mentalmente Piiiiiiii no lugar dele.
Até porque ele já me parecia parte integrante da reza, e toda vez eu tentava te tirar de lá,
assim, como se por esquecimento
Eu me perdia... naquela parte que diz “por séculos e séculos amém”

Também nem chorei muito. Só um pouco.
E nem fiz barulho.
[tu sabes que sempre soluço alto quando a primeira lágrima desponta no olho]
Mamãe, no quarto ao lado, nem ouviu.
Olha lá, que orgulho!
Me senti forte que só.
Um He-Man.
[Mas sem o gato guerreiro. E sem a Teela. E sem o Gorpo. E sem aquela ave que não lembro o nome, mas voava tão lindo.]

Descobri que algumas coisas nunca vou entender.
[que profundo!]
E outras, nem Santa Terezinha das Rosas poderá resolver.
[que a santa me perdoe a falta de fé!]

Se ela quiser, pode te trazer de volta.
Não a proíbo! Ainda te amo.
[E quem sou eu de repreender a santa?]

Mas o fato é que eu te tirei, sozinho, de minha prece diária.
E por isso... Eu dormi cheio de orgulho.

Saulo Sisnando escrevendo como
o nada.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Saulo Sisnando: "A procura de sua molécula perdida"

Entrevista feita por Landa de Mendonça
e publicada no blog Meninas Convencidas,
em 16 de novembro de 2011.


Hoje aqui no nosso Blog, eis que consigo realizar um sonho antigo: entrevistar um dos mais atraentes (em todos os sentidos! hehehehe) e talentosos artistas da minha geração, meu amigo e meu querido Diretor, Saulo Sisnando!
Definir Saulo Sisnando? Bom, eu só me arrisco em classificá-lo como “Adorável”!

Escritor, Dramaturgo, ator, mestrando e funcionário Público do Tribunal de Justiça até às 14h, este Cearense/Paraense formou-se em Direito pela Universidade da Amazônia no mesmo ano em que concluiu o curso Técnico de Ator na Escola de Teatro e Dança da UFPa.
Teve vários contos premiados e publicados pela UFPa entre 2002 e 2003. Em 2005 lançou seu primeiro livro, o “Puzzle: tenha fôlego para chegar ao fim!”, uma fantasia de terror infanto-juvenil (Editora Novo Século).
Em agosto de 2007, sem grandes ambições e montado com custo quase zero, estreou o primeiro espetáculo como dramaturgo.
“Útero – Fragmentos românticos da vida feminina” foi um sucesso estrondoso e inesperado. Diariamente filas espectadores formavam-se em frente ao teatro, em busca de um ingresso para o espetáculo, que levava para o palco, sem mitos ou tabus, o universo feminino das mulheres de Belém.
Embora tenha ficado apenas um mês em cartaz, “Útero – Fragmentos românticos da vida feminina” deu credibilidade ao novo dramaturgo, que, aproveitando o sucesso da peça, não deixou a peteca cair e produziu outros espetáculos de sucesso como “popPORN – Sete vidas e infinitas possibilidades de corações partidos”, “Cartas para ninguém” e “Quatro versus Cadáver”, modificando a atual cena paraense e levando multidões aos teatros, provando que espetáculos teatrais podem ser muito divertidos.


Rapidamente, o humor simples e os personagens facilmente reconhecíveis de Saulo Sisnando, fizeram seus textos teatrais migrarem para outros centros urbanos, “popPORN” foi montado no Rio de Janeiro sob o título “Os neuróticos” (Teatro Vanucci no Shopping da Gávea/RJ) e “Útero” foi montado pela companhia paulista “Fé Cenica”, com muito sucesso em São Paulo.
Em 2010, Saulo Sisnando estreou seu projeto mais ousado “O incrível segredo da Mulher-Macaco”, com os atores Wendell Bendelack (do espetáculo “ Surto”) e Rodrigo Fagundes (do programa de TV “Zorra Total”), uma super produção, que estreou no FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra para uma plateia recorde de 2000 pessoas.
Em 10 anos de teatro, Saulo Sisnando já participou, seja como ator, diretor ou escritor, de 15 espetáculos.

Outro dia numa conversa ele soltou uma frase marcante:

" Sou um escritor em busca de minha molécula perdida"

Pra vocês, uma amostra desse tabuleiro de palavras, inteligência e bom humor que é Saulo Sisnando:

MC - Você lembra o dia em que você percebeu que seria um artista?
Eu me descobri artista no dia em que a Sonia Lopes (minha iluminadora) me contou que uma moça tinha se casado por causa de uma peça minha. Contou-me que havia um carinha que sempre dava bola para essa moça, mas ela nunca estava nem aí pra ele... Então, depois de ver uma peça minha, pensou sobre ele... Sobre o amor... E decidiu dar uma chance. [Reza a lenda que estão casados e muito felizes]. Para mim, arte é isso. É modificar a vida do outro. Poder fazer algo de bom para a plateia.

Sempre imagino que, sentadas nas poltronas, estão mães que perderam seus filhos, filhos que perderam seus pais, amantes que estão longe de seus grandes amores... Se eu puder ajudá-los, nem que seja por uma hora, estarei satisfeito. Minha vida estrá plena. Isso é ser artista.

MC - E como você consegue administrar a sua vida de escritor, ator, diretor, dramaturgo e funcionário publico até as 14?
Não acho nada complicado. A única complicação que encontro é quando tenho de preencher formulários, porque nunca sei o que colocar no espaço destinado à profissão. Mas no resto do tempo, acho normal. As coisas só são extraordinárias quando estamos vendo de fora. De dentro é simples.

Além do mais... Quem de nós não é mil coisas ao mesmo tempo? Há mulheres que são advogadas de manhã, mães em tempo integral, esposas na parte da noite... E ainda vão para academia, fazem Ioga, supermercado, levam bichos no PetShop e tem tempo de se maquiar e se equilibrar em saltos altos... A vida de todo mundo é um caos. A única diferença é que escolhi profissões de nomes bonitos.

MC - Quais as suas influências nas suas obras como escritor e Dramaturgo respectivamente, e suas referencias de ator?
Tenho muitos livros de cabeceira e muitos atores, que queria ser igual. Mas acho que o me influencia mesmo é a vida. São os corredores do meu local de trabalho... São as fofocas que ouço quando estou no meu canto carimbando processos... São as histórias das ascensoristas de elevador... São os segredos que me contam as vendedoras de AVON, que semanalmente levam seus catálogos para eu ver...

O que me influencia são as histórias sempre loucas de meus amigos, que me ligam e dizem: “tenho uma pra te contar”. E são minhas próprias histórias de amor... Que (in)felizmente terminam em muitos desencontros, risos e um tico de lágrimas.

Claro, Claro. Eu amo a Patrícia Melo, a Agatha Christie, a Lygia Fagundes Telles... Mas não acredito que elas me influenciem... Porque não sabem nada do meu mundo... Da minha vida. E a minha visão de mundo que eu quero contar.

MC - Como é ser artista em Belém? Existem dificuldades (tanto para reunir um elenco, produção e afins) e se houverem o que você faz para vencê-las?
Estou para ver um lugar no mundo(!) onde seja fácil ser artista. Estou certo de que a Meryl Streep e a Fernanda Montenegro, antes de serem quem são, passaram por muitos perrengues. Isso é... se ainda não passam!

Belém tem seus problemas. O rio tem outros tantos. É difícil em qualquer lugar! Mas só há um jeito de vencer as dificuldades: fazer! O povo teoriza demais, discute demais, espera demais, reclama demais. Ok. Ok. Gente, agora vamos fazer?

Todo mundo sabe que é difícil ser artista... Que vivemos numa dificuldade financeira do caramba. Temos de lutar para mudar isso. Certo! Mas não vai ser para agora... Isso não vai mudar com o próximo raiar do sol.
Então, quer apenas ganhar dinheiro... Sei lá... Vai ser dentista! (aliás, nem sei se dentista ganha bem)

MC - Você já teve textos seus dirigidos por outros diretores em diversos cantos do Brasil? Como é pra você, que sempre dirige seus textos, vê-los ganhar vida pelas mãos de outro diretor?
Não vejo problema nenhum em ver meus textos sendo dirigidos por outras pessoas. O meu texto é uma peça literária encerrada. Findou-se em si mesma no momento em que a imprimi. O que fazem no palco com ela, é uma versão de uma peça literária. Não é mais apenas meu. Haverá, na montagem, um pouco da história do diretor, dos atores, dos iluminadores, dos sonoplastas, etc.

O grande problema é quando diretores incompetentes fazem bobagem com a montagem e depois culpam o texto. Eu já passei por isso... Vi uma montagem extremamente homofóbica e preconceituosa de um texto meu. E o texto era o completo oposto. Aí, quando acaba... Os espectadores olham bem na cara do escritor e dizem: “bastardo!” e depois cospem no chão.

MC - Verdade que já te chamaram de Woody Allen dos trópicos?
Já me chamaram de tudo. Vivem comparando o que eu faço com o Woody Allen (que eu, sinceramente, acho que não tem nada a ver), com o Almodóvar, com o Hitchcock.

A verdade é que as pessoas gostam de rotular.

Viram uma peça minha e um filme do Almodóvar e já se sentem no direito de dizer que eu o copio. Essa mania de todo mundo ter de ser intelectual. De fingir que entendem do assunto.

Dia desses disseram que uma peça minha era “cópia” de uma outra, que eu nem tinha visto... ao que respondi: “eu e o outro autor estávamos intuídos pelo mesmo espírito e psicografamos a mesma peça”. Não tinha outra explicação!

Depois vi a peça do outro cara e descobri que não tinha nada a ver. Era intriga pura e simples.

MC - Verdade que você adora trabalhar com "não atores"? Como é o processo? É melhor, pior ou apenas diferente?
Eu gosto porque, como eles não são do meio, não estão cheios de vícios da profissão, eles têm umas ideias muito loucas... Que os atores experientes não teriam.

Mas obviamente dá trabalho ensaiar com não atores... Porque você tem de explicar tudo... Dizer como falar, como andar, como existir num palco. Hoje em dia, ando preguiçoso... Prefiro não apenas trabalhar com atores, mas trabalhar com os MEUS atores... Aqueles que quando eu digo “vai ali e fa...” e antes de terminar a frase eles já fizeram.

MC - Como veio a decisão de fazer o mestrado?
Não veio.
Me disseram: “tem um mestrado aberto”. Eu disse: “beleza”. Fui lá, fiz a prova e passei. Como já disse, não problematizo muito. Eu faço!

Queria, também, refletir um pouco sobre meu processo criativo. Queria conhecer novas pessoas. Ler novos livros. E, quem sabe, um dia ser professor numa Universidade Federal. Trocar um cargo público por outro.

MC - E sua estreia no Rio de Janeiro? Como repercutiu no Pará?
Não repercutiu. A não ser aqui em casa... Foi a maior festa. Meu pai e minha mãe ficaram muito felizes. (risos)

Não acredito muito nesse lance de repercussão e reconhecimento. Isso é tudo ilusão. Entra peça e sai peça e eu continuo na mesma casa, com os mesmos amigos, comendo pizza na mesma pizzaria.

Aqui em Belém, sou até “meio” famoso. Mas de que serve? Continuo encalhado... Se me dissessem: “o reconhecimento vai te trazer o amor da tua vida”. Eu ia passar meses sem dormir e ia fazer uma peça incrível. Mas até alguém me garantir isso, eu vou fazendo as peças pensando apenas no que sempre penso: em estar com meus amigos e em ser feliz. Essas são as duas razões que me levam a fazer teatro.


MC - Quais os seus planos a curto, médio e longo prazo?
Só tenho um plano: encontrar um grande amor e ser feliz com ele. Quem quiser se candidatar, veja minhas fotos no Facebook (não uso photoshop) e me mande um e-mail bem fofo.

MC - Um passarinho me contou que você deve deixar Belém em breve, é verdade?
Sim! Fui numa cartomante que me disse que meu grande amor mora no Rio. Então decidi fazer meu doutorado na cidade maravilhosa. Tolos são aqueles que não acreditam em cartomantes.

MC - Alguma peça na manga?
Várias. Mas todas ultra secretas.

Eu só conto de minhas peças às vésperas da estreia. Porque às vezes nós falamos... E por algum motivo a peça não rola... Aí sempre vem um babaca, mete o dedo na tua cara, e diz: “é, né, disseste que ia fazer tal peça e nem fizeste. Só furo”.

Mas o lance (dica minha) é ter muitos projetos. E ir fazendo todos ao mesmo tempo. Porque UM deles (por DEUS!) vai ter de sair...

MC - Defina Saulo Sisnando em uma palavra?
Não posso me definir em uma palavra. Somos uma palavra nova a cada dia. Infelizmente a palavra que sou hoje, não posso revelar, por ser um nome próprio.

Não dá vontade de conhecer tudo que ele escreve e mais sobre ele? Então fiquem espertas que sempre estaremos divulgando!!!
Aqui está o link para você ler dois textos lindos do blog dele!! No blog, você vai saber (quase tudo hehehe) sobre ele, enjoy!!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Minha carteira nova





Depois de horas e horas ouvindo
a música de Clarice Falcão,
decidi escrever uma coisinha do tipo: romântico nonsense.

Comprei uma carteira igual a tua. Sim! Uma carteira daquelas... De colocar dinheiro!
Comprei porque não tinha uma foto 3x4 tua para colocar no plástico de minha outra carteira.
E mesmo se tivesse... Não teria mais como explicar para os meus amigos as razões de ainda ter uma foto. Ora, ora.

Assim, comprei uma carteira igualzinha àquela tua. Ou quase igual, pois a cor é diferente.
[Mas era a última da loja].

Comprei porque assim não preciso mais de uma foto tua no plástico. Tu és o próprio plástico.

Então, te coloco no bolso de trás.
Às vezes, no da frente.
Dirijo contigo entre as pernas.
E, vezenquando, te encaro vários minutos e te beijo.
Isso tudo sem ninguém notar que beijo a ti não ao dinheiro.
[Estou com fama de avarento por causa destas coisas].

A carteira é meio estranha. O dinheiro vive caindo. Dia desses, perdi 150 lá no Café com Arte.
[Alguém tomou tudo em birita].
Mas não hei de largá-la.

O dinheiro cai. Não cabem meus cartões. Meu comprovante de meia... Uma tortura, todo rasgado, coitado!, porque ele não cabe direito lá dentro.

Mas não abandono a carteira...
Porque quando eu a fecho,
Ela cabe certinho na palma da minha mão.
E fico com a impressão de que ninguém... Nunca mais... Vai te tirar de mim.


Saulo Sisnando escrevendo como
Saulo Sisnando
15.11.2011
23h32.
.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Eu te perdoo por eu te amar.



Um simples poema de amor...
dedicado às estrelas do céu.
Eu te perdoo por eu te amar.
Eu te perdoo por não teres dito, em nosso tempo: eu te amo
(porque foste o eu te amo em forma de corpo.)
No teu dom de calibrar a energia do cosmo
e equilibrar as luzes do mundo diante dos meus óculos.
Nem sendo matiz... Nem sendo azul...
Mas sendo ambos:
o entretom e o tom.
E pela tua mudez; por que...
O que são palavras de amor perto do toque de quem se ama?
Eu te perdoo por teres sido exatamente quem tu eras...
E por eu ter sido como sempre fui...
E por juntos termos crido que 'eu e tu' poderíamos ser apenas um nós.
Desfragmentado.
Eu te perdoo por não teres sido o tu que eu pensei que tu eras.
E eu te perdoo por seres um tu encantado
muito superior às minhas expectativas mais elevadas...
[Pois no magnetismo de teu olhar preto,
te ter ao meu lado era entender a força que mantinha o elétron girando em torno de um núcleo].
E eu te perdoo pelo meu corpo... Que não foi meu...
E pelo teu sorriso que ouvi como o tic tac do tempo...
E tua alma, que ouço como vento.
[que uiva de tristeza na minha janela]
E te perdoo, afinal, pelo meu perdão. Já que não há mais o que ponderar.
Mas há sempre falas, porque tu não és fim em si mesmo.
Nem em mim... És fim.
És fim na matéria. Na carne. Na terra. Na mediocridade humana.
Todavia no breu do céu, no canto do pássaro e na menor porção de areia da praia,
onde os pequenos siris moram... És eterno.

No universo, tu és, sem dúvida, a metade de mim em sintonia com o divino.

Saulo Sisnando escrevendo como
Saulo Sisnando

14.11.2011

sábado, 5 de novembro de 2011

As moléculas. O amor. E as estrelas cadentes.












Para minha partícula perdida no cosmo.

Sempre soube que não duraria muito tempo. De fato, durou bem pouco. Mas a verdade é que o tempo do amor não é o mesmo tempo da vida. Este se mede em minutos, dias, anos; e aquele se conta em batidas cardíacas. E neste rápido tempo que passamos juntos, meu coração bateu tão forte e tão ligeiro, que sinto como se te amasse antes de te conhecer... Antes mesmo de começar a rodar o cronômetro da vida... Como se nosso amor fosse (e é) uma invenção de outra era, de outra vida. Como se o nosso sentimento fosse mais do que um simples afeto, porém a energia cósmica que mantinha as estrelas no céu...
O teu toque em mim era o imã que ativava a conexão invisível entre a transcendência e o universo; e entre o artista e sua obra. E nós – eu e tu – éramos o passo do bailarino, a palavra do escritor e a explosão de uma supernova a anos-luz de distância.
Mas no nosso último enlace, enquanto estávamos unidos em lágrimas acesas, minha essência se dissipou pelos teus braços e minha alma se dissolveu em moléculas, para vagar a esmo por entre os prédios desta cidade ou no vazio da galáxia, buscando novamente uma força que as una derradeiramente em um só corpo.
E tudo que tenho. Tudo que tu tiveste. Todos os objetos que existem no cosmo perderam a razão de ser na tua ausência e tendem a despencar do infinito, rasgando o céu como estrelas cadentes. E só então entendo para onde vão as alianças de um amor perdido e em que dimensão estão as cartas de amor de uma paixão que não existe mais. E, em brasa, descubro como destruir a memória da dança que as estrelas faziam no céu toda vez que tu seguravas a minha mão.
E imagino os livros que te dei, as roupas, as joias e as minhas esperanças derrotadas explodindo em faíscas coloridas e brilhando nos céus das noites mais escuras; nossa paixão falida, sendo estrelas mortas, mas fazendo sonhar os novos amantes.
E nesta queda, eu te chamo. E sei que tu me ouves... Porque a minha voz é a voz de tudo. É a voz da tua solidão. É a voz do infinito.
Que os meus objetos signifiquem por mim...
Que tu nunca me esqueças...
Que os pássaros sejam a música que guia teus passos de ballet e o universo vazio seja a inspiração para eu continuar escrevendo nessa vida...
Que as estrelas parem de despencar... E que meus dedos dilacerem o tempo e, numa outra dimensão, minhas moléculas consigam se unir novamente.
Que minha alma te acompanhe na tua dança... E tua voz sussurre as belas frases dos meus textos...
E que eu continue te amando de longe... Até o dia em que uma chuva de meteoros faça brilhar em ti novamente a estrela repetida de uma paixão que já morreu há tempos.
Saulo Sisnando definitivamente escrevendo
como Saulo Sisnando
06.11.2011