segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A REINVENÇÃO DO AMOR



A REINVENÇÃO DO AMOR
– O amor não como aconteceu, mas como você se lembra –

O que você faria se tivesse a chance de viajar no tempo e rever sua última história de amor? E se, nesse momento, você descobrisse que, desmentindo suas recordações, o seu ex-amor não foi realmente como você imaginou? Será que, com o passar do tempo, você não descartou as péssimas lembranças, as brigas, os pais possessivos, as mães loucas, os atrasos constantes, o ciúme doentio e se concentrou apenas nos pontos positivos?
Depois de espetáculos macabros e sangrentos, como “O Incrível Segredo da Mulher-Macaco”, encenado no Rio de Janeiro por mais de dois anos e elogiado pela revista Veja-Rio, e “O Misterioso desaparecimento de Deborah Rope”, cerne da dissertação de mestrado do diretor, Saulo Sisnando volta às comédias românticas – tais como “Cartas para Ninguém” e “Útero” – e pede à plateia para reviver suas histórias de amor como elas aconteceram, tirando as máscaras de seus ex-amores e encarando-os como verdadeiramente foram. Seres muito amados (sem dúvidas!), mas cheios de defeitos.
Nesta nova Peça-Filme, o diretor e dramaturgo mergulha nas mentiras que contamos a nós mesmos e nos presenteia com a história de um escritor – que só queria amar para sempre – e sua namorada inconstante – que não amava o amor, mas as paixões efêmeras.
Utilizando recursos de teatro e cinema, “A reinvenção do amor” é um convite a enfrentar as lembranças e descobrir que, com o passar dos anos, tudo fica mais colorido do que o que realmente era. Em cena, os atores Flávio Ramos e Marta Ferreira, revezam-se em diversos personagens sem nome, que poderiam ser eu... Ou você. Mergulham em lembranças fragmentadas e retalhos de vida que não necessariamente foram vividos. Mas são lembrados.
Esta peça-filme é um convite à celebração do amor e, sobretudo, uma ode ao “seguir em frente”. Aos solteiros, é uma rememoração de aventuras românticas... E um pedido para deixar para trás os que se foram e encarar novos horizontes e possibilidades. Afinal se os ex fossem tão perfeitos assim, eles ainda estariam aqui... E não lá! Aos casados, é um convite para se reinventar todos os dias, surpreender seu amor a cada segundo, para que a solidão seja apenas uma palavra a habitar empoeirada os dicionários dos outros sem sorte.
A Reinvenção do Amor” é uma comédia... É também um drama e um romance. É tudo junto e bem misturado, pois é vida real, todavia uma realidade inventada e reinventada a cada minuto de saudade.

A REINVENÇÃO DO AMOR
Texto e Direção: Saulo Sisnando
Assistente de Direção: Enoque Paulino
Elenco: Flavio Ramos e Marta Ferreira

Figurinos: Grazi Ribeiro
Operação de Som: Rony Hofstatter
Iluminação: Wallace Horst
Fotos: Carol Taveira

Serviço:
Data: 23, 24, 30 de novembro e 1º de dezembro
Horário: 21h00 (sábados) 20h00 (domingos)
Local: Teatro Cuíra – Riachuelo esq. 1º de Março
Valor: 20 reais


Informações: (91) 81773344

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

o conto triste de quem ficou



Hoje faz dois anos que tu morreste, meu amor. E embora dois anos pareça muito tempo, na nossa casa nada mudou. Os móveis estão no mesmo lugar de sempre, as paredes ainda estão pintadas de azul. Tudo esta igual! E eu... eu ainda continuo dormindo apenas do lado direito da cama e, às vezes, me pego colocando dois pratos na mesa.
O canário morreu!... mas já comprei outro para pôr na gaiola. Os peixes... sempre compro da mesma espécie: são cinco peixes dourados e dois daqueles miúdos. Um aquário, um universo permanente. Estático.
Eu emagreci um pouco, as roupas ficaram frouxas e eu tive que comprar novos vestidos. Todos vermelhos!, pois era a cor que tu sempre disseste que me caía bem. Ainda ando com a aliança presa no dedo.
Semana passada aconteceu uma coisa engraçada. Fui ao médico e, na saída, ele mandou lembranças para ti. Não tive coragem de dizer que já tinhas morrido, meu amor.
O telefone parou de tocar. Nossos amigos não ligam mais... não perguntam mais se estás melhor... nem dizem que, com certeza, não passaria de uma gripe e que logo logo estarias de pé.
Vou a tua cova duas vezes por semana. Sempre levo livro de poemas de Neruda e sento a lê-lo para to. Já li dezenas... centenas... milhares de vezes... e estarei disposta a ler mais outras inúmeras.
Tua mãe me liga de vez em quando, geralmente aos domingos, me convidando para almoçar; mas eu nunca vou!
E todos os dias quando volto para casa depois do trabalho, sempre evito passar em frente àquele campo, pois sempre acho que vou te ver correndo, com teu corpo elástico recortando o horizonte. Prefiro dar a volta no quarteirão e passar em frente à barbearia onde sempre cortavas teus cabelos. Mas a verdade é que por onde eu ande e para onde eu olhe sempre há lembranças tuas.
Os porta-retratos na estante, os quadros mal pintados pendurados no corredor. O Morro dos Ventos Uivantes ainda guardado na mesinha de cabeceira... e os óculos para perto que ainda marcam a página 171.
O teu guarda-roupa está intocado. Eu ainda me visto de vermelho e me pinto toda para sair para jantar às sextas.
Me deixaste tão só. Não tenho para quem dizer ‘Boa-noite”... nem preparo mais o café para dois. Me deixaste tão só sem que eu tivesse chance de aprender a caminhar sem te ter.


Me deixaste tão só, meu amor, que eu nem sei mais o que é viver! 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Cenas de um casamento gay: VAMPIROS




CLÁUDIO: O que você está assistindo?
DIEGO: “The Vampire Diaries”.
CLÁUDIO: Ah, tá!
DIEGO: Ah, tá, o quê?
CLÁUDIO: Ué? Não posso mais dizer “Ah, tá?”
DIEGO: Pode. Claro que pode.
CLÁUDIO: Ah, tá... O seriado daquela garçonete feia que lê mentes?
DIEGO(revoltado) Primeiro, a Sookie é linda! Segundo, você está confundindo “The Vampire Diaries” com “True Blood”. Nem passam no mesmo canal.
CLÁUDIO: Tanto faz, é tudo de vampiro.
DIEGO: Sacrilégio. “Diários de um vampiro” é baseado nos livros da L. J. Smith e “True Blood” é dá Charlaine Harris... Não tem nada a ver um com o outro!
CLÁUDIO: Sei... Charlaine é aquela escritora gorda e feia?
(Diego revira os olhos)
CLÁUDIO: Mó cara de sapatão! (pausa. De repente, um insight) Por isso ela cria esses vampiros viadinhos: ela não curte homens, é isso!
DIEGO: Bill é muito macho, meu querido.
CLÁUDIO: Macho? Macho? Macho não brilha no sol como purpurina. Só o que me faltava. Daqui pro final da série, você ainda vai vê-lo dando pro lobisomem. Jacob, né? Eu aposto contigo.
DIEGO: Porra! Você tá misturando “The Vampire Diaries” com “Crepúsculo”... “Crepúsculo” é da Stephanie Meyer.
CLÁUDIO: é mesmo! Vaca!
DIEGO: Vaca!
CLÁUDIO: Cagou a mitologia dos vampiros. Mas, de todas, é a mais gata. Eu comia ela!
DIEGO: Hummm. Só o que me faltava, a bichona virar bofe e ainda comer a escritora com cara de mórmon.
CLÁUDIO:  eu comeria ela sem dó, vap-vap-vap, deixaria assada a periquita dela... Só para ela aprender a não fuder mais com a mitologia dos vampiros.
DIEGO: Tá, Cláudio, agora cala a boca, que a Katherine está se passando por Elena. Alisou o cabelo e tudo... Daqui a pouco vai ter chacina no seriado.
CLÁUDIO: Sabe o que eu acho?
DIEGO: Não sei se quero saber...
CLÁUDIO: Acho que a Katherine e a Elena são a mesma pessoa. Isso deve ser crise de identidade. No final vamos descobrir que são a mesma pessoa... Tipo “Clube da Luta”, saca?
DIEGO: cala a boca.
CLÁUDIO: não está vendo? Mó cara de doida essa pilantra.
(Diego não responde)
CLÁUDIO: Vampiros legais eram os da Anne Rice.
DIEGO:  Anne quem?
CLÁUDIO: Anne Rice. Saudade do Lestat, Louis, Armand. Aquilo sim era viadagem de alto nível.
DIEGO: vamos mudar de assunto, porque daqui a pouco vais querer meter o “Bento” do André Vianco... Ai, eu me jogo pela janela.
(alguns minutos calados)
CLÁUDIO: Muito gato esse irmão da Elena.
DIEGO: O Jeremy? É mesmo! Tão gato que não sei se eu queria ser ele ou ter ele ao meu lado na cama.
CLÁUDIO: eu preferia ter ele ao meu lado na cama
DIEGO: Que grosso!
CLÁUDIO: É porque olhando bem, eu não preciso ser ele... Eu já tenho alguns traços: cabelo castanho, pele alva, olhos negros penetrantes.
(Diego ri incontrolavelmente)
CLÁUDIO: você está acabando com a minha autoestima
DIEGO: você não acha que sua autoestima está alta demais, não?
CLÁUDIO: vou dormir?
DIEGO: com o Jeremy?
CLÁUDIO: Não! Com você... Meu vampirinho sexy. Meu Bento Carneiro, vampiro brasileiro.
DIEGO: own.  (pausa) Amor?
CLÁUDIO: oi?

DIEGO: Você comeria a Anne Rice também?

domingo, 7 de abril de 2013

Para os infinitos




Para o Pedro,
na certeza de que sempre terá o abraço de seu pai.

Então tudo passa, e o Pedro - o filho da sua melhor amiga - nasce. E você descobre que coisas grandiosas acontecem diariamente no mundo. E coisas lindas e minúsculas também.
E em quase dois anos, alguns amigos vão fazer doutorado no Rio de Janeiro, e outros voltam de Macapá, e outros engravidam, e uns abortam, e muitos parem. E um vem passar a Páscoa com a mãe, e duas querem que você escreva peças de teatro para elas, e aquele emagrece para ficar com barriga-tanquinho, e qualquer um se muda para a Austrália para esquecer um amor (sem conseguir).
E no meio de tanta vida você se vê vivendo muita coisa.
Nesse tempo em que estão separados, você foi à macumba e descobriu que era filha de Oxalá com Oxum, e se viu devota de Santa Teresinha, e aprendeu a dançar – para que você não precisasse mais dos passos alheios, mas tivesse a sua própria coreografia.
E começou a psicoterapia: fez constelação familiar, tratamento bioenergético, regressão a vidas passada e acupuntura. Ufa! E nessa empolgação, descobriu que não quer passar o resto da vida carimbando papéis no seu emprego público, não!, sua sina é ser psicanalista... Porque Freud é o cara! E agora quer ir pro Rio de Janeiro estudá-lo profundamente e montar um consultório ajeitadinho, com uma estátua do pensador em cima da mesa, vários livros escuros na estante e usar uns óculos miúdos daquele tipo bem intelectual.
Se não for possível, quer ficar por aqui e organizar rascunhos antigos e voltar a escrever histórias de terror ou romances açucarados sobre moças pobres que se apaixonam por rapazes ricos. E deseja publicar seus poemas, e crônicas, e as receitas que sua avó deixou naquele livrão antigo, que você encontrou no cofre do seu pai.
E por falar em pai, você descobriu que muito da sua solidão está ligada a ele – contrariando todos os que dizem que a culpa é sempre da mãe –  pois ele nunca te deu um abraço apertado. E você, com a ajuda da terapia, se prometeu dar um abraço nele. Mas ainda não sabe quando... Nem como explicá-lo tal repente.
Porém desde quando o amor precisa de explicação?
E sendo sozinha, você leu todos os livros do Harry Potter, virou orquidófila, aprendeu a andar de patins e a baixar filmes em Torrent.
E saiu algumas vezes ao sábado e beijou alguns gatinhos (ou vários) e se deu ao direito de tomar uns pileques mesmo sabendo que, segundo seu médico ortomolecular, bebida alcoólica retarda o emagrecimento. Mas, ah!, para que a pressa?
E então você percebe que, tentando esquecê-lo, você se faz feliz. E descobre que, embora você queira muito ter alguém, você consegue sobreviver muito bem sozinha. Porque às vezes a melhor parte do amor... é esquecê-lo!
Sim! Ele era lindo... E pode até ter sido perfeito. Mas foi perfeito por um tempo determinado. Mas pessoas como você não aceitam amores com prazo de validade.

Pois você quer o infinito,
já que o infinito você é.
Mesmo sozinha.