domingo, 20 de novembro de 2011

Eu te tirei de minha prece diária





depois de confessar para minha amiga Martinha,
confesso para o mundo.

Tu, decerto, pensarás que é bobagem... Não é!
Mas finalmente consegui te tirar de minha prece diária.
Chorei. Te confesso.
Chorei, sobretudo, quando disse aquela frase “se for conforme vossa santíssima vontade e para a salvação de minha alma”,
pois, por muito tempo, pensei que nosso namoro era conforme a santíssima vontade.
Não era.
Ok. Pode ter sido. Não é mais.

Não te preocupes... Não pedi teu mal. Nem te chamei de nomes feios.
[Tenho reputação a zelar com a santa.]
Apenas censurei teu nome. Falando mentalmente Piiiiiiii no lugar dele.
Até porque ele já me parecia parte integrante da reza, e toda vez eu tentava te tirar de lá,
assim, como se por esquecimento
Eu me perdia... naquela parte que diz “por séculos e séculos amém”

Também nem chorei muito. Só um pouco.
E nem fiz barulho.
[tu sabes que sempre soluço alto quando a primeira lágrima desponta no olho]
Mamãe, no quarto ao lado, nem ouviu.
Olha lá, que orgulho!
Me senti forte que só.
Um He-Man.
[Mas sem o gato guerreiro. E sem a Teela. E sem o Gorpo. E sem aquela ave que não lembro o nome, mas voava tão lindo.]

Descobri que algumas coisas nunca vou entender.
[que profundo!]
E outras, nem Santa Terezinha das Rosas poderá resolver.
[que a santa me perdoe a falta de fé!]

Se ela quiser, pode te trazer de volta.
Não a proíbo! Ainda te amo.
[E quem sou eu de repreender a santa?]

Mas o fato é que eu te tirei, sozinho, de minha prece diária.
E por isso... Eu dormi cheio de orgulho.

Saulo Sisnando escrevendo como
o nada.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Saulo Sisnando: "A procura de sua molécula perdida"

Entrevista feita por Landa de Mendonça
e publicada no blog Meninas Convencidas,
em 16 de novembro de 2011.


Hoje aqui no nosso Blog, eis que consigo realizar um sonho antigo: entrevistar um dos mais atraentes (em todos os sentidos! hehehehe) e talentosos artistas da minha geração, meu amigo e meu querido Diretor, Saulo Sisnando!
Definir Saulo Sisnando? Bom, eu só me arrisco em classificá-lo como “Adorável”!

Escritor, Dramaturgo, ator, mestrando e funcionário Público do Tribunal de Justiça até às 14h, este Cearense/Paraense formou-se em Direito pela Universidade da Amazônia no mesmo ano em que concluiu o curso Técnico de Ator na Escola de Teatro e Dança da UFPa.
Teve vários contos premiados e publicados pela UFPa entre 2002 e 2003. Em 2005 lançou seu primeiro livro, o “Puzzle: tenha fôlego para chegar ao fim!”, uma fantasia de terror infanto-juvenil (Editora Novo Século).
Em agosto de 2007, sem grandes ambições e montado com custo quase zero, estreou o primeiro espetáculo como dramaturgo.
“Útero – Fragmentos românticos da vida feminina” foi um sucesso estrondoso e inesperado. Diariamente filas espectadores formavam-se em frente ao teatro, em busca de um ingresso para o espetáculo, que levava para o palco, sem mitos ou tabus, o universo feminino das mulheres de Belém.
Embora tenha ficado apenas um mês em cartaz, “Útero – Fragmentos românticos da vida feminina” deu credibilidade ao novo dramaturgo, que, aproveitando o sucesso da peça, não deixou a peteca cair e produziu outros espetáculos de sucesso como “popPORN – Sete vidas e infinitas possibilidades de corações partidos”, “Cartas para ninguém” e “Quatro versus Cadáver”, modificando a atual cena paraense e levando multidões aos teatros, provando que espetáculos teatrais podem ser muito divertidos.


Rapidamente, o humor simples e os personagens facilmente reconhecíveis de Saulo Sisnando, fizeram seus textos teatrais migrarem para outros centros urbanos, “popPORN” foi montado no Rio de Janeiro sob o título “Os neuróticos” (Teatro Vanucci no Shopping da Gávea/RJ) e “Útero” foi montado pela companhia paulista “Fé Cenica”, com muito sucesso em São Paulo.
Em 2010, Saulo Sisnando estreou seu projeto mais ousado “O incrível segredo da Mulher-Macaco”, com os atores Wendell Bendelack (do espetáculo “ Surto”) e Rodrigo Fagundes (do programa de TV “Zorra Total”), uma super produção, que estreou no FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra para uma plateia recorde de 2000 pessoas.
Em 10 anos de teatro, Saulo Sisnando já participou, seja como ator, diretor ou escritor, de 15 espetáculos.

Outro dia numa conversa ele soltou uma frase marcante:

" Sou um escritor em busca de minha molécula perdida"

Pra vocês, uma amostra desse tabuleiro de palavras, inteligência e bom humor que é Saulo Sisnando:

MC - Você lembra o dia em que você percebeu que seria um artista?
Eu me descobri artista no dia em que a Sonia Lopes (minha iluminadora) me contou que uma moça tinha se casado por causa de uma peça minha. Contou-me que havia um carinha que sempre dava bola para essa moça, mas ela nunca estava nem aí pra ele... Então, depois de ver uma peça minha, pensou sobre ele... Sobre o amor... E decidiu dar uma chance. [Reza a lenda que estão casados e muito felizes]. Para mim, arte é isso. É modificar a vida do outro. Poder fazer algo de bom para a plateia.

Sempre imagino que, sentadas nas poltronas, estão mães que perderam seus filhos, filhos que perderam seus pais, amantes que estão longe de seus grandes amores... Se eu puder ajudá-los, nem que seja por uma hora, estarei satisfeito. Minha vida estrá plena. Isso é ser artista.

MC - E como você consegue administrar a sua vida de escritor, ator, diretor, dramaturgo e funcionário publico até as 14?
Não acho nada complicado. A única complicação que encontro é quando tenho de preencher formulários, porque nunca sei o que colocar no espaço destinado à profissão. Mas no resto do tempo, acho normal. As coisas só são extraordinárias quando estamos vendo de fora. De dentro é simples.

Além do mais... Quem de nós não é mil coisas ao mesmo tempo? Há mulheres que são advogadas de manhã, mães em tempo integral, esposas na parte da noite... E ainda vão para academia, fazem Ioga, supermercado, levam bichos no PetShop e tem tempo de se maquiar e se equilibrar em saltos altos... A vida de todo mundo é um caos. A única diferença é que escolhi profissões de nomes bonitos.

MC - Quais as suas influências nas suas obras como escritor e Dramaturgo respectivamente, e suas referencias de ator?
Tenho muitos livros de cabeceira e muitos atores, que queria ser igual. Mas acho que o me influencia mesmo é a vida. São os corredores do meu local de trabalho... São as fofocas que ouço quando estou no meu canto carimbando processos... São as histórias das ascensoristas de elevador... São os segredos que me contam as vendedoras de AVON, que semanalmente levam seus catálogos para eu ver...

O que me influencia são as histórias sempre loucas de meus amigos, que me ligam e dizem: “tenho uma pra te contar”. E são minhas próprias histórias de amor... Que (in)felizmente terminam em muitos desencontros, risos e um tico de lágrimas.

Claro, Claro. Eu amo a Patrícia Melo, a Agatha Christie, a Lygia Fagundes Telles... Mas não acredito que elas me influenciem... Porque não sabem nada do meu mundo... Da minha vida. E a minha visão de mundo que eu quero contar.

MC - Como é ser artista em Belém? Existem dificuldades (tanto para reunir um elenco, produção e afins) e se houverem o que você faz para vencê-las?
Estou para ver um lugar no mundo(!) onde seja fácil ser artista. Estou certo de que a Meryl Streep e a Fernanda Montenegro, antes de serem quem são, passaram por muitos perrengues. Isso é... se ainda não passam!

Belém tem seus problemas. O rio tem outros tantos. É difícil em qualquer lugar! Mas só há um jeito de vencer as dificuldades: fazer! O povo teoriza demais, discute demais, espera demais, reclama demais. Ok. Ok. Gente, agora vamos fazer?

Todo mundo sabe que é difícil ser artista... Que vivemos numa dificuldade financeira do caramba. Temos de lutar para mudar isso. Certo! Mas não vai ser para agora... Isso não vai mudar com o próximo raiar do sol.
Então, quer apenas ganhar dinheiro... Sei lá... Vai ser dentista! (aliás, nem sei se dentista ganha bem)

MC - Você já teve textos seus dirigidos por outros diretores em diversos cantos do Brasil? Como é pra você, que sempre dirige seus textos, vê-los ganhar vida pelas mãos de outro diretor?
Não vejo problema nenhum em ver meus textos sendo dirigidos por outras pessoas. O meu texto é uma peça literária encerrada. Findou-se em si mesma no momento em que a imprimi. O que fazem no palco com ela, é uma versão de uma peça literária. Não é mais apenas meu. Haverá, na montagem, um pouco da história do diretor, dos atores, dos iluminadores, dos sonoplastas, etc.

O grande problema é quando diretores incompetentes fazem bobagem com a montagem e depois culpam o texto. Eu já passei por isso... Vi uma montagem extremamente homofóbica e preconceituosa de um texto meu. E o texto era o completo oposto. Aí, quando acaba... Os espectadores olham bem na cara do escritor e dizem: “bastardo!” e depois cospem no chão.

MC - Verdade que já te chamaram de Woody Allen dos trópicos?
Já me chamaram de tudo. Vivem comparando o que eu faço com o Woody Allen (que eu, sinceramente, acho que não tem nada a ver), com o Almodóvar, com o Hitchcock.

A verdade é que as pessoas gostam de rotular.

Viram uma peça minha e um filme do Almodóvar e já se sentem no direito de dizer que eu o copio. Essa mania de todo mundo ter de ser intelectual. De fingir que entendem do assunto.

Dia desses disseram que uma peça minha era “cópia” de uma outra, que eu nem tinha visto... ao que respondi: “eu e o outro autor estávamos intuídos pelo mesmo espírito e psicografamos a mesma peça”. Não tinha outra explicação!

Depois vi a peça do outro cara e descobri que não tinha nada a ver. Era intriga pura e simples.

MC - Verdade que você adora trabalhar com "não atores"? Como é o processo? É melhor, pior ou apenas diferente?
Eu gosto porque, como eles não são do meio, não estão cheios de vícios da profissão, eles têm umas ideias muito loucas... Que os atores experientes não teriam.

Mas obviamente dá trabalho ensaiar com não atores... Porque você tem de explicar tudo... Dizer como falar, como andar, como existir num palco. Hoje em dia, ando preguiçoso... Prefiro não apenas trabalhar com atores, mas trabalhar com os MEUS atores... Aqueles que quando eu digo “vai ali e fa...” e antes de terminar a frase eles já fizeram.

MC - Como veio a decisão de fazer o mestrado?
Não veio.
Me disseram: “tem um mestrado aberto”. Eu disse: “beleza”. Fui lá, fiz a prova e passei. Como já disse, não problematizo muito. Eu faço!

Queria, também, refletir um pouco sobre meu processo criativo. Queria conhecer novas pessoas. Ler novos livros. E, quem sabe, um dia ser professor numa Universidade Federal. Trocar um cargo público por outro.

MC - E sua estreia no Rio de Janeiro? Como repercutiu no Pará?
Não repercutiu. A não ser aqui em casa... Foi a maior festa. Meu pai e minha mãe ficaram muito felizes. (risos)

Não acredito muito nesse lance de repercussão e reconhecimento. Isso é tudo ilusão. Entra peça e sai peça e eu continuo na mesma casa, com os mesmos amigos, comendo pizza na mesma pizzaria.

Aqui em Belém, sou até “meio” famoso. Mas de que serve? Continuo encalhado... Se me dissessem: “o reconhecimento vai te trazer o amor da tua vida”. Eu ia passar meses sem dormir e ia fazer uma peça incrível. Mas até alguém me garantir isso, eu vou fazendo as peças pensando apenas no que sempre penso: em estar com meus amigos e em ser feliz. Essas são as duas razões que me levam a fazer teatro.


MC - Quais os seus planos a curto, médio e longo prazo?
Só tenho um plano: encontrar um grande amor e ser feliz com ele. Quem quiser se candidatar, veja minhas fotos no Facebook (não uso photoshop) e me mande um e-mail bem fofo.

MC - Um passarinho me contou que você deve deixar Belém em breve, é verdade?
Sim! Fui numa cartomante que me disse que meu grande amor mora no Rio. Então decidi fazer meu doutorado na cidade maravilhosa. Tolos são aqueles que não acreditam em cartomantes.

MC - Alguma peça na manga?
Várias. Mas todas ultra secretas.

Eu só conto de minhas peças às vésperas da estreia. Porque às vezes nós falamos... E por algum motivo a peça não rola... Aí sempre vem um babaca, mete o dedo na tua cara, e diz: “é, né, disseste que ia fazer tal peça e nem fizeste. Só furo”.

Mas o lance (dica minha) é ter muitos projetos. E ir fazendo todos ao mesmo tempo. Porque UM deles (por DEUS!) vai ter de sair...

MC - Defina Saulo Sisnando em uma palavra?
Não posso me definir em uma palavra. Somos uma palavra nova a cada dia. Infelizmente a palavra que sou hoje, não posso revelar, por ser um nome próprio.

Não dá vontade de conhecer tudo que ele escreve e mais sobre ele? Então fiquem espertas que sempre estaremos divulgando!!!
Aqui está o link para você ler dois textos lindos do blog dele!! No blog, você vai saber (quase tudo hehehe) sobre ele, enjoy!!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Minha carteira nova





Depois de horas e horas ouvindo
a música de Clarice Falcão,
decidi escrever uma coisinha do tipo: romântico nonsense.

Comprei uma carteira igual a tua. Sim! Uma carteira daquelas... De colocar dinheiro!
Comprei porque não tinha uma foto 3x4 tua para colocar no plástico de minha outra carteira.
E mesmo se tivesse... Não teria mais como explicar para os meus amigos as razões de ainda ter uma foto. Ora, ora.

Assim, comprei uma carteira igualzinha àquela tua. Ou quase igual, pois a cor é diferente.
[Mas era a última da loja].

Comprei porque assim não preciso mais de uma foto tua no plástico. Tu és o próprio plástico.

Então, te coloco no bolso de trás.
Às vezes, no da frente.
Dirijo contigo entre as pernas.
E, vezenquando, te encaro vários minutos e te beijo.
Isso tudo sem ninguém notar que beijo a ti não ao dinheiro.
[Estou com fama de avarento por causa destas coisas].

A carteira é meio estranha. O dinheiro vive caindo. Dia desses, perdi 150 lá no Café com Arte.
[Alguém tomou tudo em birita].
Mas não hei de largá-la.

O dinheiro cai. Não cabem meus cartões. Meu comprovante de meia... Uma tortura, todo rasgado, coitado!, porque ele não cabe direito lá dentro.

Mas não abandono a carteira...
Porque quando eu a fecho,
Ela cabe certinho na palma da minha mão.
E fico com a impressão de que ninguém... Nunca mais... Vai te tirar de mim.


Saulo Sisnando escrevendo como
Saulo Sisnando
15.11.2011
23h32.
.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Eu te perdoo por eu te amar.



Um simples poema de amor...
dedicado às estrelas do céu.
Eu te perdoo por eu te amar.
Eu te perdoo por não teres dito, em nosso tempo: eu te amo
(porque foste o eu te amo em forma de corpo.)
No teu dom de calibrar a energia do cosmo
e equilibrar as luzes do mundo diante dos meus óculos.
Nem sendo matiz... Nem sendo azul...
Mas sendo ambos:
o entretom e o tom.
E pela tua mudez; por que...
O que são palavras de amor perto do toque de quem se ama?
Eu te perdoo por teres sido exatamente quem tu eras...
E por eu ter sido como sempre fui...
E por juntos termos crido que 'eu e tu' poderíamos ser apenas um nós.
Desfragmentado.
Eu te perdoo por não teres sido o tu que eu pensei que tu eras.
E eu te perdoo por seres um tu encantado
muito superior às minhas expectativas mais elevadas...
[Pois no magnetismo de teu olhar preto,
te ter ao meu lado era entender a força que mantinha o elétron girando em torno de um núcleo].
E eu te perdoo pelo meu corpo... Que não foi meu...
E pelo teu sorriso que ouvi como o tic tac do tempo...
E tua alma, que ouço como vento.
[que uiva de tristeza na minha janela]
E te perdoo, afinal, pelo meu perdão. Já que não há mais o que ponderar.
Mas há sempre falas, porque tu não és fim em si mesmo.
Nem em mim... És fim.
És fim na matéria. Na carne. Na terra. Na mediocridade humana.
Todavia no breu do céu, no canto do pássaro e na menor porção de areia da praia,
onde os pequenos siris moram... És eterno.

No universo, tu és, sem dúvida, a metade de mim em sintonia com o divino.

Saulo Sisnando escrevendo como
Saulo Sisnando

14.11.2011

sábado, 5 de novembro de 2011

As moléculas. O amor. E as estrelas cadentes.












Para minha partícula perdida no cosmo.

Sempre soube que não duraria muito tempo. De fato, durou bem pouco. Mas a verdade é que o tempo do amor não é o mesmo tempo da vida. Este se mede em minutos, dias, anos; e aquele se conta em batidas cardíacas. E neste rápido tempo que passamos juntos, meu coração bateu tão forte e tão ligeiro, que sinto como se te amasse antes de te conhecer... Antes mesmo de começar a rodar o cronômetro da vida... Como se nosso amor fosse (e é) uma invenção de outra era, de outra vida. Como se o nosso sentimento fosse mais do que um simples afeto, porém a energia cósmica que mantinha as estrelas no céu...
O teu toque em mim era o imã que ativava a conexão invisível entre a transcendência e o universo; e entre o artista e sua obra. E nós – eu e tu – éramos o passo do bailarino, a palavra do escritor e a explosão de uma supernova a anos-luz de distância.
Mas no nosso último enlace, enquanto estávamos unidos em lágrimas acesas, minha essência se dissipou pelos teus braços e minha alma se dissolveu em moléculas, para vagar a esmo por entre os prédios desta cidade ou no vazio da galáxia, buscando novamente uma força que as una derradeiramente em um só corpo.
E tudo que tenho. Tudo que tu tiveste. Todos os objetos que existem no cosmo perderam a razão de ser na tua ausência e tendem a despencar do infinito, rasgando o céu como estrelas cadentes. E só então entendo para onde vão as alianças de um amor perdido e em que dimensão estão as cartas de amor de uma paixão que não existe mais. E, em brasa, descubro como destruir a memória da dança que as estrelas faziam no céu toda vez que tu seguravas a minha mão.
E imagino os livros que te dei, as roupas, as joias e as minhas esperanças derrotadas explodindo em faíscas coloridas e brilhando nos céus das noites mais escuras; nossa paixão falida, sendo estrelas mortas, mas fazendo sonhar os novos amantes.
E nesta queda, eu te chamo. E sei que tu me ouves... Porque a minha voz é a voz de tudo. É a voz da tua solidão. É a voz do infinito.
Que os meus objetos signifiquem por mim...
Que tu nunca me esqueças...
Que os pássaros sejam a música que guia teus passos de ballet e o universo vazio seja a inspiração para eu continuar escrevendo nessa vida...
Que as estrelas parem de despencar... E que meus dedos dilacerem o tempo e, numa outra dimensão, minhas moléculas consigam se unir novamente.
Que minha alma te acompanhe na tua dança... E tua voz sussurre as belas frases dos meus textos...
E que eu continue te amando de longe... Até o dia em que uma chuva de meteoros faça brilhar em ti novamente a estrela repetida de uma paixão que já morreu há tempos.
Saulo Sisnando definitivamente escrevendo
como Saulo Sisnando
06.11.2011


terça-feira, 28 de junho de 2011

O misterioso desaparecimento de Deborah Rope


texto do programa da peça - junho/2011
Numa nublada quarta-feira de agosto, em 2007, estreava o espetáculo “Útero – Fragmentos Românticos da Vida Feminina”. A peça era esquisita e pobre de dar dó – recheada de bancos de plástico e adereços comprados em camelôs e lojas de 1,99. Mas era uma peça cheia de vontade... Cheia de tesão! E há algo melhor do que o tesão, para tapar as lacunas de uma produção humilde?
E depois do Útero, seguiram-se a depravada “popPORN”, a romântica “Cartas para ninguém”, a vulgar “TRASH”, a desmiolada “Quatro vs. Cadáver” e a elegante “O incrível segredo da Mulher-Macaco”.
Mas a verdade é que... Quem seria louco de pensar, que neste curto período de tempo, o nosso teatro acabaria sendo objeto de estudo de uma dissertação de mestrado?
Pois aqui está “O misterioso desaparecimento de Deborah Rope”, parte integrante de minha dissertação, que versa sobre “como o cinema americano pode modificar um espetáculo teatral”.
Ter sua peça como objeto de uma dissertação limita algumas coisas; noutras palavras, é um “pé no saco”! Afinal meu jeito tresloucado de dirigir precisou ceder lugar ao “super-pensado” e ao “hiper-justificado”.
Tudo na peça significa! E se justifica nalguma chatíssima rede de pensadores e teóricos: o elenco é duplo para garantir uma edição cinematográfica; as interpretações são afetadas; as cores inexistem; o elenco fala tudo de frente, como se estivessem diante de uma câmera de cinema, etc.
Não sei se o público vai gostar. Alguns torcerão o nariz para o sangue excessivo. É, sem dúvida, uma peça macabra. Não sei, muito menos, se fará sucesso como todas as outras... Porém isso é algo que jamais pude prever mesmo.
Mas é uma peça amada. E apesar de não haver tanto riso, tanta loucura e tantas cores berrantes como nas minhas outras peças, Deborah Rope está conectada às minhas demais obras por motivos que, embora estejam além do palco, são visíveis em cena. E é nesse “invisível-visível” que reside nosso sucesso. Deborah Rope, como popPORN, Cartas para Ninguém e Útero, é uma peça alicerçada sobre o amor. O meu amor! O meu amor pelos meus amigos, que, por serem meus amigos, sempre entram em cena nessas peças malucas.
Podem acreditar, a grande qualidade do Deborah Rope, mais do que qualquer dissertação poderá dizer, é ver em cena: 1) o grande amor de minha vida Flávio Ramos; 2) a minha diva escorregadia Marta Ferreira; 3) a minha comadre Gisele Guedes.
Afinal um diretor é inútil se não houver atores. E um dramaturgo não vive se suas falas não forem ditas. Enfim, eu sou o supérfluo deste espetáculo. Todo o ouro é deles!
Por isso, não importa o que vai acontecer com esta peça. Não importa se o público vai gostar... Pois o que vale mesmo é terminar a peça e ir comer pizza no “Santa Pizza” com eles. O que interessa é voltar pra casa e saber que, mesmo que tenha dado tudo errado em cena, eu ainda serei amado pelos meus amigos-atores.
É!... É mesmo uma pena que a platéia só possa assistir o final de tudo, pois o verdadeiro espetáculo esteve no percurso. Nas caminhadas pelo comércio com a Dina... Nas mãos sujas de tinta a óleo do Rony... Nas brigas... Nas reconciliações...
A verdade é que não sei para onde os anos me levarão. Não sei se serei o próximo autor de novelas da Globo, nem se meu teatro já deu o que tinha de dar. Não sei se, daqui a cinco anos, estarei no Rio, ou no Nepal, ou em São Francisco, ou em Belém. Não importará no futuro se minhas peças foram boas ou ruins. Decerto nem me lembrarei amanhã se o Deborah Rope respondeu satisfatoriamente as minhas hipóteses teóricas. Pois nada que ocorra fará com que esta peça deixe der ser apenas uma peça. O que realmente importará é que, no futuro, eu terei fotos... Terei lembranças compartilhadas... E terei amigos tão amados, que me acompanharão e me amarão, mesmo que eu decida ser cozinheiro... Ou pintor... Ou advogado.
Esta peça, portanto, não é para mim. Nem para o público. Esta obra de arte é um presente para os meus amigos, que eu tanto amo.

Saulo Sisnando (30.05.2011 às 21h41min)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O misterioso desaparecimento de Deborah Rope




Uma mulher impossibilitada de sair de casa. Um terapeuta maluco. Um marido canalha. Uma escritora voluptuosa. Uma telefonista insistente. Uma “coisa” dentro de uma jaula. Um livro inacabado. Várias paixões devastadoras. Um crime insolúvel. E muitos enigmas.
Após viajar por estados do norte e nordeste com a peça “Quatro vs. Cadáver” e depois de estrear, no Rio de Janeiro, o espetáculo “O Incrível Segredo da Mulher-Macaco”– no Festival internacional de Teatro de Angra, para uma platéia recorde de 2.000 pessoas por apresentação –, o diretor e dramaturgo Saulo Sisnando volta para a terra natal, com um espetáculo que é parte integrante de sua dissertação de mestrado.
Neste novo projeto, propõe-se a fazer uma “peça-filme”; algo jamais realizado na capital paraense. Reunindo suas duas grandes paixões – teatro e cinema – numa só peça, Saulo Sisnando convida a platéia a assistir um espetáculo que é parte filmado, parte teatralmente encenado. Uma espécie de cinema teatralizado... Ou seria teatro filmado? Desafiando a platéia a ver um filme sendo feito ao vivo. Reunindo no palco a perfeição distante do cinema e imprevisibilidade do teatro.
Por meio de “O Misterioso Desaparecimento de Deborah Rope”, o diretor pretende atrair para o Teatro Cuíra, não apenas os amantes do teatro, mas também os apaixonados pelo cinema. Através da história macabra e cômica de uma escritora de sucesso, que tem uma relação de idolatria e ódio com sua fã nº 1. Uma trama maluca, que envolve manuscritos roubados, crimes passionais e mulheres fatais dissimuladas.
Esta peça-filme é uma celebração ao cinema clássico americano e àquelas histórias recheadas de gângsteres, mulheres submissas, maridos cruéis e femme fatales.
Mergulhando no universo de filmes de Hitchcock e Howard Hawks e assumindo a paixão pelas grandes divas do cinema, como Ingrid Bergman e Lauren Bacall, “O Misterioso Desaparecimento de Deborah Rope” é uma peça luxuosa, com figurinos deslumbrantes – que parecem saídos dos filmes clássicos –, interpretações afiadas, cenários virtuais e muitos personagens filmados, que interagem com atores ao vivo.
O espetáculo possui, ainda, alguns vídeos produzidos por outros artistas como Orlando Simões e Suanny Lopes, que ilustram alguns momentos da peça-filme e revelam segredos da trama. Por último há também a música original de Christian Perrotta, que na voz de uma atriz cantora, ganha contornos hollywoodianos.
Esta é, portanto, uma peça glamorosa como poucas vezes se viu em Belém. É ao mesmo tempo, como não podia deixar de ser, uma comédia louca e sofisticada bem aos moldes das demais peças de Saulo Sisnando, que tanto fizeram sucesso em Belém e que agora migram para outros centros, como o Rio de Janeiro e São Paulo.
O Misterioso Desaparecimento de Deborah Rope é um filme. É uma peça. É uma obra de arte única, que desperta na platéia risos e sustos... e algumas outras sensações secretas! É o resultado de um ano e meio de estudo e dedicação. É uma homenagem ao cinema americano e ao teatro brasileiro. É uma celebração aos tempos que já se foram e a uma sensualidade discreta que não existe mais. É, por tudo isso, mais do que uma peça qualquer. É, sim!, uma peça-filme imperdível.




O Misterioso Desaparecimento de Deborah RopeTodos os Sábados e Domingos de junho/2011
Às 21h
No “Teatro Cuíra” – Riachuelo Esq. 1º de Março
Ingresso: R$ 20,00 (meia entrada para estudante)
Informações: (91) 81773344
Twitter: @saulosisnando




FICHA TÉCNICA:
Texto e Direção Geral:

Saulo Sisnando
Direção Assistente:
Gisele Guedes

Elenco:
Personagens Reais:

Flávio Ramos
Marta Ferreira
Adelaide Teixeira
Luiza Braga
Nilton Cézar
Personagens Virtuais:
Gisele Guedes
Saulo Sisnando
Luiz Thomaz Sarmento
Giulídia Dias
Personagens Invisíveis:
Dina Mamede
Rony Hofstatter

Projeções:
Leonardo Cardoso
Marcelo Andrade
Figurinos:
Deborah Lago
Perucas e Maquiagem:
Baety Magalhães
Iluminação e Fotografia:
Sonia Lopes
Execução de Sonoplastia:
Gisele Guedes
Música original:Christian Perrotta
Letra de Saulo Sisnando
Videos:
Saulo Sisnando
Orlando Simões
Suanny Lopes
Cartaz e Fotos de divulgação:
Giulídia Dias

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os nós


Muita gente gosta de conjugar os verbos na primeira pessoa do singular: eu sou, eu quero e eu preciso. Outras, para complementá-las, só conjugam os verbos na segunda pessoa de singular: tu és, tu queres, tu precisas.
Por sorte, encontrei alguém que, como eu, prefere conjugar tudo com nós.
Sem dúvida, nós é o meu pronome preferido. Ele é imbatível. Visto que para sermos nós, eu preciso ser eu e tu... precisas ser tu.
Nós é romântico. É tântrico. Táctil. Tangível. Vivo. E indivisível.
Nós é certeza. É calma, paz e confiança.
Nós é ligar e saber que, se não atendes, é porque estás ocupada e, decerto, logo-logo me ligarás de volta. Nós é nunca achar que estás me traindo ou que não queres me atender.
Nós é aquele filme de terror canalha que assistes só para me agradar. É aquela peça de teatro-cabeça que finges adorar, só para me fazer um pouco mais feliz... Nós são as vezes que cruzo os dedos e rezo baixinho, quando entro no teu carro e diriges como louca, numa velocidade à la Fittipaldi.
Nós são as vezes que relevo teus surtos, TPMs, estresses e algumas neuras que, muitas vezes nem entendo... Mas finjo que entendo. Nós... São as ocasiões que tu me entendes, mas dizes não entender só para me irritar. Pois sempre falaste que sou tão beijável quando estou irritado.
Nós é a tua dança, que nem sei dançar, mas tenho olhos para te admirar... e (um pouquinho) te invejar. Nós é a tua música. É tua mão correndo pelo papel, comandada pelo teu belo dom de desenhar. Nós é teu corpo elástico, plástico, místico que me deixa extasiado. E excitado.
Nós é tua paixão pela dança. E minha paixão pelo cinema. E nossa paixão mútua que faz um se interessar pela paixão do outro.
Nós são nossos corpos enlaçados como fios, num beijo cheio de saliva com gosto de forever.
Nós são os nós dos meus dedos que se abrem... Afastam-se... Só para que os nós das tuas falanges possam me penetrar e nossas mãos se tornem uma só.
E nós... São os brotos que nascem de uma mesma árvore chamada nossa vida.
Nós é o nosso abraço, depois de um dia longe, quando temos, juntos, a impressão de que iremos nos dissolver em moléculas para que possamos nos agrupar noutro corpo único. Tão junto. Tão unido. Tão maciço a ponto de sermos apenas um defunto na hora da morte.
Nós é o que sinto agora no meu coração pulsante. Nós é o que sinto quando vejo nossas fotos de ontem. E nós é o que enxergo quando te imagino, ao meu lado, no meu amanhã.
Nós é o que quero derradeiramente sentir quando meu olho se fechar na treva e um the end chegar, ao som de uma música hollywoodiana. E nós será eu te esperando do outro lado... Ansioso... Para te ver chegando, a fim de que possamos dançar juntos. Para sempre. Sendo Nós.


Saulo Sisnando quase escrevendo como
Saulo Sisnando

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O ocaso de um amor via sms


depois de alguma bebida, escrevi este sms gigante que mandei pro teu celular.

Eu te amo. Realmente. E, desse modo, não te quero ter. Te amo livre, como aquele carinho que temos pelos pássaros imóveis, que se equilibram nos galhos das árvores; uma fonte de prazer visual imenso que, de súbito, se extinguiria ao ser trancafiado em uma gaiola. Sempre acreditei que, pela tua beleza, encontrarias alguém que te amasse com mais simplicidade do que eu consegui. E o torço, do fundo do meu coração, que possam te fazer feliz na exata quantidade que sonhei, porém jamais concretizei. Espero que, livre, tu consigas ser alegre outra vez... E não te preocupes, pois se entre nos houver mesmo amor, em algum momento a nossa história vai recomeçar: nem que seja eu outra vida, quando formos pássaros.
Saulo Sisnando. 16.01.11 4h46