sábado, 5 de novembro de 2011

As moléculas. O amor. E as estrelas cadentes.












Para minha partícula perdida no cosmo.

Sempre soube que não duraria muito tempo. De fato, durou bem pouco. Mas a verdade é que o tempo do amor não é o mesmo tempo da vida. Este se mede em minutos, dias, anos; e aquele se conta em batidas cardíacas. E neste rápido tempo que passamos juntos, meu coração bateu tão forte e tão ligeiro, que sinto como se te amasse antes de te conhecer... Antes mesmo de começar a rodar o cronômetro da vida... Como se nosso amor fosse (e é) uma invenção de outra era, de outra vida. Como se o nosso sentimento fosse mais do que um simples afeto, porém a energia cósmica que mantinha as estrelas no céu...
O teu toque em mim era o imã que ativava a conexão invisível entre a transcendência e o universo; e entre o artista e sua obra. E nós – eu e tu – éramos o passo do bailarino, a palavra do escritor e a explosão de uma supernova a anos-luz de distância.
Mas no nosso último enlace, enquanto estávamos unidos em lágrimas acesas, minha essência se dissipou pelos teus braços e minha alma se dissolveu em moléculas, para vagar a esmo por entre os prédios desta cidade ou no vazio da galáxia, buscando novamente uma força que as una derradeiramente em um só corpo.
E tudo que tenho. Tudo que tu tiveste. Todos os objetos que existem no cosmo perderam a razão de ser na tua ausência e tendem a despencar do infinito, rasgando o céu como estrelas cadentes. E só então entendo para onde vão as alianças de um amor perdido e em que dimensão estão as cartas de amor de uma paixão que não existe mais. E, em brasa, descubro como destruir a memória da dança que as estrelas faziam no céu toda vez que tu seguravas a minha mão.
E imagino os livros que te dei, as roupas, as joias e as minhas esperanças derrotadas explodindo em faíscas coloridas e brilhando nos céus das noites mais escuras; nossa paixão falida, sendo estrelas mortas, mas fazendo sonhar os novos amantes.
E nesta queda, eu te chamo. E sei que tu me ouves... Porque a minha voz é a voz de tudo. É a voz da tua solidão. É a voz do infinito.
Que os meus objetos signifiquem por mim...
Que tu nunca me esqueças...
Que os pássaros sejam a música que guia teus passos de ballet e o universo vazio seja a inspiração para eu continuar escrevendo nessa vida...
Que as estrelas parem de despencar... E que meus dedos dilacerem o tempo e, numa outra dimensão, minhas moléculas consigam se unir novamente.
Que minha alma te acompanhe na tua dança... E tua voz sussurre as belas frases dos meus textos...
E que eu continue te amando de longe... Até o dia em que uma chuva de meteoros faça brilhar em ti novamente a estrela repetida de uma paixão que já morreu há tempos.
Saulo Sisnando definitivamente escrevendo
como Saulo Sisnando
06.11.2011


8 comentários:

  1. Bom, preciso dizer, eu chorei lendo o texto. Porque é quase exatamente como me sinto... Lindas palavras, carregadas de sentimento. Te sigo

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  2. Nossa! obrigado. Sabes que vim aqui... agora... para deletar esse post... mas depois de ler o que você escreveu, vou deixá-lo aí. Obrigado. Eu chorei escrevendo. Beijos. Que você encontre sua molécula perdida...

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  3. Parece uma oração de tão sentida e verdadeira.
    Amei, como amo todas as tuas letras.
    Tua molécula já está encontrando corpo em mim!

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  4. Querido, que lindo.
    Senti aqui o que tu sentes. Consigo entender porque sinto...
    Entendo bem esse tempo do amor... E o quanto ele pode ser intenso mesmo sendo breve. É o amor quebrando todas as regras, todas as escalas e todas as verdades. E a gente sabe quando ele chega e inunda tudo, muda tudo e a vida da gente nunca mais é igual...

    beijo grande <3

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  5. Eu ainda estou buscando a dimensão onde minhas moléculas se unirão novamente.

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  6. André Ribeiro de Santana7 de novembro de 2011 21:53

    Querido Saulo,
    Terminei de ler com lágrimas nos olhos! O amor enquanto força primordial dos universos é eterno, mas nós, frágeis humanos não fomos moldados para a eternidade! Só nos resta vivenciá-lo com intensidade e entrega, sem medo de sermos desintegrados por seu poder, mas talvez naquele que amamos sua chama se esgote primeiro, quem sabe pelas armadilhas do cotidiano, ou pela mortalha da rotina,o certo é que quando o amor torna-se unilateral também torna-se fardo cruel. Então é melhor seguir a vida com a certeza que uma história de amor talvez nunca acabe realmente, pois suas energias mesclam-se ao próprio Cosmos e suas manifestações. Então, algum dia, em algum momento, iremos sorrir sem saber o porquê, ao receber um raio de Sol ou uma chuva da tarde! Mas é nosso amor voltando para nos dar um alô! Um abraço!

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  7. Saulo, realmente o que escreves é lindo e de um sensibilidade que consegue alcançar e tocar até o mais insensível.
    Seria tão bom se não sofrêssemos de amor =/

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