segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quatro Vs Cadáver: humor, diversão e versatilidade


por Orlando Simões



Há muitos e muitos séculos o teatro tem sido uma das mais conceituadas e respeitadas manifestações artísticas humanas, isso desde a tragédia e comédia na Grécia. Entretanto, cada época foi trazendo novas formas, novas técnicas e a dramaturgia teatral , como toda boa forma de expressão, foi se reinventando, se moldando, se adaptando e trazendo novas formas de divertir e emocionar a platéia, inclusive através do diálogo com outras formas de expressão como música, cinema e dança.

Na premissa do diálogo, da referência, do encontro é que a peça Quatro VS Cadáver se situa muitíssimo bem bebendo da fonte inspiradora do seu irmão caçula, o cinema. A peça é um conjunto de pequenos atos, ou pequenas outras peças, contando histórias distintas cujo único ponto em comum é um cadáver em cada uma delas... aparentemente é isso, aparentemente.

Com um ritmo bem fluente em palco os atores se revezam ora entre um humor refinado, contido, de sacadas ora com um humor mais escrachado, escatológico até, mas tudo dentro do necessário para desenvolver as complexas tramas diante do espectador. A bem da verdade as tramas não são tão complexas assim, mas a maneira cômica com que as situações são conduzidas e os personagens são apresentados e confrontados uns com os outros é que acaba causando essa complexidade cômica em cena. O que era para ser sempre uma trama girando em torno de um cadáver acaba se tornando uma verdadeira farra de caras e caretas, trejeitos e reviravoltas inexplicáveis no palco com gente assumindo romances improváveis e confessando pecados inconfessáveis.

O que pareceria uma loucura é na verdade uma grande homenagem ao cinema noir e suas tramas complexas, assassinatos planejados , detetives desconfiados, mulheres fatais, empregadas misteriosas, casos amorosos, dinheiro em jogo e muita, muita desconfiança mútua.
Para homenagear ainda mais essa paixão pelo cinema, entre um ato e outro da peça o espectador vê sob pouca luz o cenário ser arrumado, reorganizado para o ato seguinte, enquanto ao fundo avança uma projeção de vários filmes e trechos de obras clássicas de autores cinematográficos do noir. É tão interessante que o espectador nem nota o tempo passar e a transição acaba se tornando parte do ato todo.

Saulo Sisnando, autor, ator e diretor da peça aproveita bem a oportunidade e as características de nosso tempo para mesclar a linguagem teatral com a cinematográfica, fazendo um teatro ágil, divertido e conectado com o a pluralidade marcante de nossa época onde uma expressão reforça outra, onde uma linguagem fala com outras, se misturam e exatamente nesse processo de encontro se renovam.

Com referências não só do cinema noir como também da literatura noir e dos quadrinhos como Dick Tracy, Sisnando nos brinda com um peça que faz o teatro dialogar consigo mesmo e com outras mídias, utilizando muitíssimo bem seu recurso de quatro textos de quatro autores diferentes amarrados ao final por um último ato que é pura metalinguagem. Não poderia ser diferente no final.

Premiado pela FUNARTE o espetáculo conta também com textos de Edyr Augusto Proença, Carlos Correia Santos e Rodrigo Barata, cada um deles escrevendo uma das tramas que se seguem no palco.

Por fim, nossa equipe gostaria muitíssimo de agradecer
ao convite feito a nós para cobrir e prestigiar a apresentação, ao material cedido para divulgação no Ponto Zero e em especial a parceria que nos proporcionou presentear dois leitores com ingressos para prestigiar também esta
excelente peça toda escrita e interpretada pelo melhor do teatro paraense. Muito obrigado e parabéns a todos da equipe da peça pelo trabalho de primeiríssima mão.

FICHA TÉCNICA:
Direção Geral: Saulo Sisnando

Textos:
“Quem matou minha personagem?”, de Carlos Correia Santos
“O caso do Muiraquitã Verde”, de Edyr Augusto Proença
“O estranho”, de Rodrigo Barata
“A Querida Irmã”, de Saulo Sisnando

Elenco:
Adelaide Teixeira
Gisele Guedes
Luíza Braga
Marcelo Sousa
Saulo Sisnando
Flávio Ramos – como “o cadáver”
Iluminação:
Sonia Lopes
Sonoplastia:
Leonardo Cardos

{Quatro Vs Cadáver}



sábado, 28 de agosto de 2010

Quatro Versus Cadáver: comédia paraense volta ao palco após temporada no Maranhão


Vencedora do prêmio Myriam Muniz, da Funarte, “Quatro Versus Cadáver” retorna ao teatro do CCBEU neste fim de semana

Após bem sucedidas apresentações na cidade de São Luís, volta aos palcos de Belém o espetáculo “Quatro Versus Cadáver”. Com textos de Carlos Correia Santos, Edyr Augusto Proença, Rodrigo Barata e Saulo Sisnando, a peça será apresentada nesta sexta, sábado e domingo (27, 28 e 29), sempre às 19h, no Teatro do CCBEU. Criador do projeto, Saulo Sisnando também assina a direção da montagem que venceu o prêmio Myriam Muniz, da Funarte, e ganhou a chance de circular por outras capitais brasileiras. Nos dias 14 e 15 de setembro, a produção segue para Macapá.

A inusitada comédia, que reúne em um só espetáculo as estéticas e linguagens de quatro dos mais atuantes dramaturgos da atual cena teatral nortista, não apenas conquistou bom espaço na mídia maranhense como arrancou gargalhadas e aplausos do público de São Luís. A vitória no concorrido edital da Funarte está permitindo a divulgação, em praças distintas, de um autêntico mosaico do que a dramaturgia paraense contemporânea está produzindo.
Cada um – “Quatro Versus Cadáver” alinhava quatro divertidas histórias que seguem um mesmo mote, a clássica circunstância das tramas de mistério: um personagem assassinado e um grupo de suspeitos. Quem matou? Por que matou? Como matou?
Para desenvolver seu enredo, Carlos Correia Santos escolheu a metalinguagem. A personagem de uma das atrizes some enigmaticamente. Ela não consegue mais encontrá-la. A conclusão é só uma: algum de seus colegas de cena seqüestrou sua personagem para tentar matá-la. Mas quem? Por que? Como? A platéia diverte-se com o embate dos egos dos atores e não percebe que a solução para esse “crime cênico” pode estar bem mais perto do que suspeitam.
Norteada por um humor ácido e provocativo, a trama de Edyr Augusto segue os moldes dos clássicos do cinema noir. Um intrigante casal parece estar relacionado à estranha morte de um pesquisador envolvido no desaparecimento de um Muiraquitã. Tudo, no entanto, sofre uma grande reviravolta e a platéia é quem acaba morrendo de rir.
Rodrigo Barata aposta numa narrativa regada a escandalosos e hilários desdobramentos. Um jovem milionário é assassinado por seus irmãos gêmeos adotivos. A sinistra e tosca empregada da família surge para fazer revelações bombásticas e tornar tudo ainda mais histriônico.
Por fim, inspirada na estética das HQs, a história de Saulo Sisnando costura todas as demais, misturando seus elementos e pontuando de forma criativa as características dos demais autores do espetáculo.


Serviço: “Quatro Versus Cadáver” com textos de Saulo Sisnando, Carlos Correia Santos, Edyr Augusto Proença e Rodrigo Barata. Direção: Saulo Sisnando. Dias 27, 28 e 29, às 19h, no Teatro do CCBEU. Ingressos: R$ 20,00 com meia entrada a R$ 10,00. Espetáculo vencedor do prêmio Myriam Muniz da Funarte.

FICHA TÉCNICA:


Direção Geral:
Saulo Sisnando
Textos:
“Quem matou minha personagem?”, de Carlos Correia Santos
“O caso do Muiraquitã Verde”, de Edyr Augusto Proença
“O estranho”, de Rodrigo Barata
“A Querida Irmã”, de Saulo Sisnando
Elenco:
Adelaide Teixeira
Gisele Guedes
Luíza Braga
Marcelo Sousa
Saulo Sisnando
Flávio Ramos – como “o cadáver”
Iluminação:
Sonia Lopes
Sonoplastia:
Leonardo Cardoso
Fotos de Divulgação e Cartaz:
Alan Soares e Shamara Fragoso
Fotos do Espetáculo:
Philippe Medeiros

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Boa noite, Cinderela.









Uma Belém sombria, colorida por fortes e fechados tons de azul e vermelho. Uma princesa solitária trancafiada numa torre alta. Um bairro povoado por prostituas, travestis e marinheiros. Uma maldição que atinge uma jovem há dezesseis anos. Uma rua, na qual as cartomantes são bruxas e os assassinatos são cometidos com brilhantes punhais de aço. Uma rosa com o poder de nos fazer dormir para sempre e um coração que, trancafiado numa caixa, nos garantirá beleza eterna.




Em junho de 2010, a produtora do Cuíra convidou-me para assinar a dramaturgia do novo espetáculo do grupo – um belo trabalho desenvolvido com os moradores dos arrabaldes do teatro. Com uma sincera e admirável confiança, deu-me livre-arbítrio para escrever a dramaturgia, exigindo apenas que, no palco, estivessem histórias do bairro da Campina.




Por um mês, mergulhei no universo do local, ouvi narrações, fotografei, pesquisei e acompanhei diariamente a oficina ministrada pela diretora Marluce Oliveira.




As histórias eram muitas, de diferentes tempos, com os mais distintos protagonistas. Eram tramas folhetinescas, recheadas de riquezas, belas mulheres, amores proibidos, mortes... Muitas mortes! Contavam-me de madames que perdiam posses por causa de amores bandidos, paixões eternas de apenas uma noite e mulheres poderosas que desejavam ser resgatadas por belos príncipes. Destinos tão mordazes, que matariam de inveja as mocinhas das novelas da Tevê.




Tentando unificar tantas e tão romanescas narrativas numa única dramaturgia, mergulhei no universo dos contos de fada de Perrault, Grimm e Hans Christian Andersen e inspirei-me abertamente no espetáculo “7 – o Musical” de Charles Möeller e Claudio Botelho, que assisti, no Rio de Janeiro, em 2008.




Sem jamais deixar de lado as histórias narradas ao longo de dois meses. Dentre tantas, o conto da prostituta maranhense assassinada por uma rival, a história do rapaz virgem morto no Rola’s Drinks no dia em que passou no vestibular e a trama verídica de uma das prostitutas mais ricas da campina que, traída pelo amante, perdeu todos os bens, passando a viver como mendiga. Tudo alinhavado sob a égide do conto da Bela Adormecida. E não seria irônico uma bela adormecida na Riachuelo? Ou melhor... Já não seria esta rua recheada por estas belas mulheres que dormem?




Com este espetáculo, quis escrever um conto de fadas real... Ou a realidade em forma de conto de fadas. Desejei retratar a campina de uma maneira lírica, lúdica e carnavalesca. “Boa noite, Cinderela” é, como todo conto de fadas, um arquétipo de nossas idealizações e um microssomo da realidade em que vivemos. Um convite a atravessar nossa penosa existência de forma menos dolorosa. É, finalmente, o óbolo que nos fará descer de nossas altas torres e enxergar este bairro e estas pessoas, que são luxuosas, mas sujas. Bonitas e feias. Majestosas e decadentes. Perigosas e adoráveis. Contraditórias... afinal antes de serem da vida, são reais e humanas como todos nós.




Saulo Sisnando
Agosto/2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O incrível segredo da Mulher-Macaco




Em celebração ao aniversário do cineasta Alfred Hitchock,
que em 13 de agosto completaria 101 anos,
o espetáculo “O incrível segredo da Mulher-macaco”,
faz pré estreia nacional em Belém/PA, no Cine-Teatro CCBEU,
nesta sexta-feira 13.

Uma heroína preocupada com os preparativos de seu casamento. Um noivo milionário. Uma cruel criada. Um desconhecido em busca de abrigo. Uma matriarca paralítica. Uma atriz de cinema de identidade falsa. Seis personagens. Seis Vidas. Seis segredos. Vários crimes! Essa é a tônica da comédia-terror.

Em meados de 2009, os atores Wendell Bendelack (“Sexo Frágil” e “Malhação”) e Rodrigo Fagundes (“Zorra Total”), desafiaram o dramaturgo e diretor teatral paraense, Saulo Sisnando, a escrever uma peça cômica, sombria, que seguisse os moldes das películas clássicas de horror hollywoodianas.


Saulo aceitou o desafio macabro e os presenteou com uma história desmiolada, sangrenta e absurda, recheada de revelações bombásticas. E muitas piadas!


Mergulhando no universo do impecável romance inglês, O Morro dos Ventos Uivantes, Saulo Sisnando transportou a trama da autora Emily Brontë das charnecas bucólicas de Yorkshire, para a Meca do cinema – Hollywood –, onde as loiras são geladas e os galãs têm caráter duvidoso.


Utilizando o conhecimento cinematográfico, que adquiriu por anos como crítico de cinema e a experiência de já ter dirigido peças do gênero, como “Quatro versus Cadáver”, vencedora do prêmio Myriam Muniz - Funarte, Saulo Sisnando recheou a trama de referências, que vão alem do livro de Emily Brontë, mas homenageiam os filmes hollywoodianos, os personagens célebres e as celebridades reais.

No palco, Wendell e Rodrigo vivem diversos personagens. Assassinos, mocinhas, monstros e detetives. Todos tem seus segredos lúgubres e todos são movidos por uma grande paixão: o cinema.
A trama e gira em torno de uma confusa herança e começa quando um desconhecido, Sr. Loockwood, arrisca-se a pedir abrigo numa mansão mal assombrada. Como toda boa história de terror, o dinheiro sempre justifica qualquer crime. Nesta aqui, todos estão interessados num glamoroso estúdio de cinema... E todos, sem exceção, estão dispostos a matar, fingir, dissimular, morrer... E até ressuscitar, se for preciso!
Somando-se a tudo isso, há ainda um segredo, que ocupa o andar de cima da mansão. Um mistério milenar... Que se manteve trancado a sete chaves... Até hoje. Quando, literalmente, rompendo grades, esse segredo escapou e escondeu-se pelos aposentos da casa.
“O incrível segredo da Mulher-Macaco” é uma peça de terror. É uma comédia para bolar de rir. É uma celebração à sétima arte. É uma homenagem aos livros de Agatha Christie e aos filmes de Alfred Hitchcock. É uma oportunidade única de unir o teatro do Rio de Janeiro ao de Belém em um só espetáculo. É uma trama, que prende a atenção do início ao fim, quando se descobre que o assassino decerto não é o mordomo. Mas também não é o amante. Nem a Bette Davis! Uma história onde tudo é tão possível que o autor de crime tão brutal pode ter sido a mocinha... Ou o galã... Ou eu... Ou você... Ou ninguém... Quem sabe?

FICHA TÉCNICA
Texto e Direção:
Saulo Sisnando
Diretora Assistente e Dir. de Movimento: Duda Maia
Iluminação: Paulo Roberto Moreira
Iluminação (em Belém): Sônia Lopes
Criação de Trilha e Efeitos Sonoros: Rodrigo Fagundes Gravação e Mixagem: Christiano Pedreira
Figurino: Wendell Bendelack e Lúcia Obara
Adereços: Rodrigo Fagundes, Wendell Bendelack e Edilson Risoleta
Concepção de Cenário: Rodrigo Fagundes, Wendell Bendelack e Saulo Sisnando
Cenotécnico: Renato Índio
Programação Visual: Milton Menezes
Fotografia: Fernando Filho
Consultoria Cultural: Paula Salles
Elaboração de Projeto: Paula Salles e Gabriela Mendonça
Direção de Produção e Produção Executiva: Renato Bavier
Realização: Rodrigo Fagundes, Wendell Bendelack e Triple – Idéias e Soluções Culturais.
Produção Local: Saulo Sisnando
Assessoria de Imprensa Local: Carlos Correia Santos
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SERVIÇO
“O Incrível Segredo da Mulher-Macaco”
Local:
Cine-Teatro do CCBEU
(Padre Eutíquio, 1309)
Dias 13, 14 e 15 de agosto/2010
Horário:
às 21h00
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 80 minutos
Ingressos: R$40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)
Informações: (91) 81773344

Saulo Sisnando: sucesso no teatro do Rio e Belém


Matéria publicada no jornal “O Diário do Pará”,


na Quinta-feira, 05/08/2010. (por Marcelo Gabbay)




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Belém receberá no próximo dia 13 de agosto, a peça “O Incrível Segredo da Mulher Macaco”, que entrará em cartaz no teatro do CCBEU, com texto e direção de Saulo Sisnando.
A peça tem em seu elenco Wendell Bendelack, Rodrigo Fagindes e Renato Bavier como a Mulher Macaco. Ao mesmo tempo, “Quatro Versus Cadáver” e “Boa Noite, Cinderela”, também estarão em cena. E como se não bastasse, “Útero: fragmentos românticos da vida feminina”,é um dos espetáculos selecionados pelo Festival Territórios de Teatro, que acontece em Belém na mesma época.


A peçaEsse é o ano do jovem escritor que estará com quatro espetáculos em cartaz ao mesmo tempo. Um ritmo nada ruim para quem ainda dá expediente como advogado.
“O Incrível Segredo da Mulher Macaco” veio por encomenda da Companhia Os Surtados, por meio dos atores Wendell Bendelack e Rodrigo Fagundes e estreou em 24 de julho, no Teatro Dom Pedro de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Entre encontros e conversas no Rio de Janeiro, a dupla de atores que estourou nos teatros cariocas com “O Surto” – a peça de esquetes que originou o personagem Patrick, do programa Zorra Total – decidiu encarar uma parceria com Saulo para uma nova montagem. Eles tinham acabado de encenar a comédia “Mamãe Não Pode Saber”, com direção de João Falcão, e agora queriam não só o texto, mas a orientação de Saulo como diretor da nova peça.
Baseada em referências do universo de filmes de terror hollywoodianos, “O Incrível Segredo da Mulher Macaco” tem um texto ágil e muito bem amarrado. O entrosamento apurado de Wendell e Rodrigo consegue a proeza de segurar a peteca da narrativa repleta de citações a Alfred Hitchcock, Edgar Allan Poe, e Agatha Christie. Os dois atores se revezam em vários papéis, que trocam perucas, figurinos, adereços e entonações de voz tão variados que dá pra imaginar o corre-corre que deve rolar por detrás do palco.
A história se desenvolve em torno de um assassinato, uma trama complexa que envolve inveja, traição, decadência, fama, dinheiro, e uma mulher macaco. Segredos são revelados e desmentidos o tempo todo. Só um verdadeiro trabalho de tecelagem para costurar a trama cômica da peça. Tudo na sua medida, sem gorduras desnecessárias. As risadas fáceis que se arrancam com a desconcentração dos atores, que riem de si mesmos e fazem piadas internas não é a jogada aqui. O público precisa acompanhar a história. A sequência frenética e absurda de surpresas e guinadas na trama é o que faz da Mulher Macaco uma comédia completa.
O final inesperado é um dos grandes momentos. O próprio texto de Saulo cuida de fazer sua auto-chacota. “O Incrível Segredo da Mulher Macaco” cumpre uma sequência no repertório desse autor e diretor de 32 anos que vem, com as próprias mãos, agitando o cenário teatral de Belém e começando a ganhar chão pelo Brasil.


O diretor
Saulo Sisnando se formou na Escola de Teatro e Dança da UFPa em 2002, mas antes disso já produzia textos de ficção. Foi premiado como contista pela UFPA em 2002 e 2003, publicou a história de Maria Manuela pelo blog de seu Semanário Sexual, e em 2005 lançou seu primeiro livro, o “Puzzle: tenha fôlego para chegar ao fim!” (Editora Novo Século). O acúmulo de textos e a facilidade em escrever histórias impulsionaram uma sequência de produções em teatro, que vêm desde 2007 com a estréia de “Útero: fragmentos românticos da vida feminina”.
Trabalhando com não atores, Saulo assumiu o posto de diretor e realizador de seus textos. De lá pra cá, já foram mais quatro espetáculos com sua assinatura: “popPORN: sete vidas e infinitas possibilidades de corações partidos”; “Cartas Para Ninguém”; “Trash: o outro lado do popPORN”; e “Quatro Versus Cadáver”, esse escrito em parceria com Carlos Correia Santos, Edyr Proença, e Rodrigo Barata.
Ao mesmo tempo, acaba de se encerrar, no Rio de Janeiro, uma temporada de dois meses de mais texto seu, “Os Neuróticos: de perto ninguêm é normal”, no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea, um dos palcos mais populares da cidade. No ano passado, “popPORN” foi encenado na Lapa, no teatro Ninho das Artes, com direção de Luciana Malcher e mais dois atores paraenses no elenco, Michele Campos e Roy Peres.


Serviço:
A Mulher Macaco fica em cartaz de 13 a 15 de agosto sempre às 21 horas, no teatro do CCBEU, na Travessa Padre Eutíquio, 1309.
Programação imperdível!
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