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É possível ser gay e feliz?

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De todas as violências que sofremos na vida, nenhuma dói mais do que aquelas selvagerias praticadas pelas pessoas que fomos obrigados a amar. Nossos parentes. Não sou do tipo que gosta de romantizar situações violentas do meu passado. Mas gosto de olhar para o lado bom de tudo. Por isso, sem medo de errar, digo que o grande estalo da minha vida se deu no natal de 1991 quando, pouco antes da meia noite, minha mãe – por alguma razão – avançou sobre mim, gritando:  “Não revira os olhos quando estiver falando comigo. Não revira os olhos de novo, senão eu quebro a tua cara. Tu não és viado. Tu não és viado”. A mão dela estava fechada. Não sei se ela cravava as unhas na própria carne para tentar se controlar ou para me bater. Mas não me bateu. A sala estava cheia de gente. Família. Amigos. Parentes de toda espécie.  Todos silenciaram!  Todos assistiram à cena de longe... imóveis... impassíveis... distantes... alheios. Poucas vezes me senti tão humilhado quanto naquela noite, afinal minha mãe expôs…

SEJA O GAY QUE VOCÊ QUER SER

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Essa semana, divulgaram no Facebook uma lista com, supostamente, os gays mais malvados da minha cidade. É incrível como o tempo passou e, no mesmo passo em que evoluímos tanto em alguns aspectos, continuamos tão iguais e idiotas em outros.  O que passa pela cabeça de um gay para fazer uma lista expondo outros gays? Será que agora ele (ou ela) está em casa, se sentindo a pessoa mais inteligente e esperta do mundo por ter exposto pessoas sem ser descoberto?  Bom, essa pessoa pode se sentir muitas coisas, mas jamais poderá se sentir "original". No início dos anos 2000, houve uma extensa lista com nomes de gays ditos malvados... obviamente os gays atingidos naquela época eram outros... Foi um pandemônio!  Se hoje em dia, já é ruim ter seu nome exibido numa lista destas, imaginem há 20 anos. Tempos mais tarde, saiu outra lista, na qual constava não apenas nomes, mas fotos de rapazes nus, feitas por um mau caráter que, se sentindo o "macho alfa", achou correto expor os passi…

Devo me assumir gay?

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Se tem uma questão que nos acompanha desde o dia em que nos descobrimos é se devemos ou não “sair do armário”. E... caso devamos... Qual o momento certo? Bom, como todas as perguntas complicadas da vida, essa também possui uma resposta muito simples:  “Ninguém sabe. Ninguém, além de você, jamais saberá.” Não importa o que você tenha lido. O que dizem os militantes ou os conservadores. Só você vive a sua vida. Só você luta suas lutas e sabe das suas dificuldades. Seria muito cômodo para mim, com 40 anos, financeiramente independente dos meus pais, dizer que todos devemos sair do armário. Eu não sei como é na sua casa. Não sei de suas inseguranças. Nem de suas infelicidades. Não sei se seus pais acreditam num Deus que te coloca no pecado... não sei, muito menos, se você mesmo acredita nesse Deus. Não existe como saber a hora certa. Continuamente ouço pessoas comentando que, depois de uma turbulência inicial, se assumir gay foi libertador, foi “como tirar um peso das costas”. Mas eu conheço ta…

Quando meu pai decidiu amar o filho gay.

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Eu não sabia, mas sempre amei demais o meu pai. Minha mãe conta que, quando eu tinha 4 anos, toda vez que ele saía, eu fechava a mão com força e só abria quando ele voltava para casa. Levaram-me a psiquiatras, neurologistas, médicos de toda espécie, porém logo descobriram que, em vez de uma doença, eu sentia apenas saudade. Meu pai começou a ficar mais tempo em casa, largou o cargo que o obrigava a viajar e eu nunca mais fechei a mão. Ela ficou aberta, como se estivesse sempre esperando um aperto, um carinho, um simples toque... mas nunca veio! Eu e ele nunca conseguimos ser próximos. Eu tinha a impressão de que não éramos chegados porque ele não queria encarar a verdade... Não queria ver que tinha um filho gay. Na adolescência, para tentar uma aproximação, minha mãe insistiu para ele me levar todos os dias ao colégio antes de ir ao banco no qual trabalhava. Não era um longo caminho, mas passávamos uns 20 minutos enclausurados naquele carro silencioso... Ele não dizia nada... E eu não fa…

ELES SEMPRE FORAM HOMOFÓBICOS

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A primeira vez que ouvi alguém falar sobre AIDS foi em 1987, quando eu passava férias com minha família no Ceará. "Os viados estão morrendo, não sabem o que é... apenas morrem!", um amigo da família falou. "Graças a Deus", alguém respondeu, antes de completar: "é o câncer gay". Não tenho certeza se usaram a palavra "Gay", mas estou certo do uso da palavra "CÂNCER". CÂN-CER. E foi a única vez na vida que ouvi essa palavra ser usada num sentido positivo. Para eles, a AIDS era uma doença milagrosa. O castigo divino a salvar o planeta da praga dos homossexuais, que sujavam tudo com suas mãos frouxas e suas vozes irritantes. Minha mãe abaixou-se, encarou-me nos olhos com muito medo, e disse: "tá vendo, meu filho, o que Deus faz com os viados?" Eu tinha apenas 9 anos. Mas eu já era gay. Eu sempre fui! E doeu demais descobrir que, tão pequeno, eu já era tão odiado por Deus. Não importava o que eu fizesse, o câncer gay me mataria em breve. E…

A Ratoeira, de Agatha Christie

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NÃO PERCA A OPORTUNIDADE DE PASSAR UMA NOITE COM AGATHA CHRISTIE! A Ratoeira – obra máxima da escritora inglesa Agatha Christie – é uma das obras mais lendárias da história do teatro mundial, figurando no Guinness Book como o espetáculo teatral há mais tempo exibido ininterruptamente, com quase trinta mil apresentações ao longo de 66 anos. Portanto não perca a oportunidade de vestir suas roupas vintages, seus casacos de frio e cachecóis peludos para passar uma noite de comédia e mistério, numa casa isolada pela neve, em companhia da rainha do crime Agatha Christie.
Pois nada se compara à emoção de visitar uma antiga pensão e avaliar cada um dos estranhos hóspedes, analisando todas as pistas (muitas falsas!) e tentando decifrar um dos mais famosos casos policiais de todos os tempos. A MONTAGEM PARAENSE A versão apresentada em Belém a partir de 10 de novembro de 2018 tem a direção geral assinada pelo premiado diretor Saulo A. Sisnando e traz no elenco os atores formandos do Curso Livre de Fo…

Feliz 5 anos

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Há cinco anos, tu te foste para o nunca mais. E contigo se foram teus atrasos, que já eram nossos, e teu ritmo, no qual alicercei as batidas do meu coração. Foste para o nunca mais com com um adeus seguido de sete palavras que me aprisionaram, “eu te amo, um dia eu volto”. E armado com estas letras, levaste contigo minha essência, deixando em meu peito apenas um cavo jamais preenchido por qualquer alegria (ou dor alguma) desse mundo. Pois nada, por mais agudo que venha a ser, é capaz de ocupar a vaga de um coração retirado. Porque só tuas mãos têm a combinação de quatro letras capaz de fazê-lo bater novamente no meu peito: A.M.O.R. O meu amor! E nestes anos todos, nada fez meu coração voltar ao canto. Por vezes, sentia algo batendo no tronco, mas logo percebia ser uma ilusão, uma miragem, um holograma, que se dissipava em bruma e passava habitar o intervalo das letras de textos, do virar das páginas, dos vãos dos teatros, dos oitos de uma música. Nesses cinco anos, te bloqueei nas redes s…