domingo, 20 de maio de 2012

A crônica do amor platônico ou A mais complicada matemática





Esta foi a primeira crônica que escrevi na vida (jan/2001). Já foi publicada em algumas revistas e sites e, hoje, decidi fazer esse vídeo.

É um vídeo caseiro... dedicado a primeira pessoa que amei.

Na época em que escrevi esse texto, numa dessas loucuras cósmicas, eu amava uma pessoa e era perdidamente apaixonado por outra. Esta crônica foi escrita para uma paixão... não para um amor... percebi isso com o tempo.

Publico na esperança de que meu primeiro amor a ouça... e saiba que embora no texto existe "reengenharia de Software" e "dinamarca"... são apenas palavras... porque o amor que move esta crônica era seu...

Não espero mesmo que nos encontremos no futuro... nem no cinema, nem no teatro, nem na vida... espero apenas que 11 anos não seja tempo demais para simplesmente me desculpar.

Este vídeo também é dedicado aos queridos Flavio Ramos Moreira CostaNeyara AndradeLanda De Mendonça Araujo,Danielle Valente DaniNigel AndersonBel LobatoCarmen SisnandoPedro MachadoAna Flávia Mendes Sapucahy e Miguel Santa Brigida... que, decerto, dançarão loucamente... na minha festa de casamento... com alguém que ainda não conheci.

Amo vocês

quarta-feira, 16 de maio de 2012

porque eu te amei...



Eu não te amei pelo teu andar de pássaro,
nem pelos teus gestos raros,
nem pelo teu hálito de Halls preto,
nem pelos teus olhos, que piscavam em tempos diferentes. Primeiro um, depois o outro.
Não te amei pelos filmes que vimos juntos, nem pelos textos que leste pra mim.
Meu amor por ti, não transitava pelas tuas mãos que alisavam meus cabelos, nem pelo sonho de nos mudarmos daqui.
Não tinha a ver com os presentes dados...
Sempre errados:
ou frouxos demais, ou apertados demais. 
Mas não importava, pois tuas digitais na embalagem eram mais extraordinárias do que o tamanho certo da roupa.
De fato, eu quase te amei pelo vento... Que balançava o meu lençol quando, de madrugada, te levantavas da cama e ias embora... Abrindo a porta e deixando formar uma corrente de ar no quarto.
Não te amei pelos teus atrasos, nem pelo teu gosto musical. Não te amei pelo teu beijo, nem pelo teu corpo longo e perfeito, cheio de estrias de quem cresceu demais. Não te amei pela bagunça que fazias em meu coração, nem pela maneira como posicionavas o banco do meu carro, deixando o assento quase deitado.
Não te amei pelas festas que foste sozinho, porque não tinhas coragem de dizer para ninguém que tu me amavas, nem pelo teu companheirismo, ou tua saliva doce, ou pelas lágrimas presentes no nosso amor.
Não te amei pelo jeito como eras quando estavas comigo. E não te amei pelo meu espírito... Sempre conectado com Deus quando eu estava ao teu lado.
Eu não te amei por que simplesmente dormiste tantas vezes em minha companhia, ou por que foste a única pessoa que consegui continuar amando mesmo na inconsciência do meu sono.
Eu não te amei por que equilibraste minha cama. Nem por teres sido o mais perfeito contrapeso que eu poderia ter pedido ao universo. E, sabe!?, não foste apenas o contrapeso de minha cama. Mas o contrapeso certo de minha vida.
Eu não te amei por que tu me amavas...
Ou  por que te deixaste ser amado...
Ou pela certeza de ser deixado em breve...
Eu te amei por nada...
Eu te amei, apenas, por que tu eras tu. E eu amava a ti e só a ti.
Eu te amei por que nunca te pedi nada... E mesmo assim me deste tanto.
Mas sempre
...
nas entrelinhas.





segunda-feira, 12 de março de 2012

O poder que as palavras não têm.




Para Neyara,
na esperança de que, um dia, uma voz atenda do outro lado da linha.

Sempre ouvi dizer que palavras tinham poder. E por isso decidi ser escritor, pois quis acreditar que minhas palavras poderiam mudar o mundo. Mas hoje, enquanto escrevo este texto, meu pai está doente e, de repente, toda a fé que tive na minha profissão se perdeu. Afinal eu sempre rezei para ter alguém do meu lado na hora de sua morte. Mas cá estou eu: sozinho! Pois meus amores me deixaram e minha mãe morreu cedo, e embora eu ainda sinta a presença de todos, eles não poderão segurar minha mão quando meu pai der seu último suspiro.

E se essas benditas palavras tivessem poder, minha mãe estaria aqui e eu faria alguma destas minhas viagens ao seu lado e a perguntaria se ainda me ama – mesmo após a morte – e se ela me acompanha de pertinho ou se me vê apenas de longe, como se nós – os vivos – fossemos pontos brilhantes no firmamento do paraíso. E finalmente abandonaria aqueles meus atos alucinados e nunca mais ligaria para o seu antigo número de celular torcendo para que ela me atenda... E, sozinho, no carro, com olhos cheios de lágrimas, não travaria longas conversas imaginárias, mesmo sabendo que ela está morta.

Se as palavras realmente tivessem poder, eu conseguiria voar bem rápido a ponto de me despedir da minha avó. E teria certeza de que hoje ela está no céu, cuidando de minha mãe e cultivando laranjas no pomar de Deus, e fazendo picolés para vender para as crianças que morreram jovens demais. E Deus me levaria antes do programado, mas em troca de minha ida inesperada, ele devolveria às mães desoladas a chance de verem seus filhos mortos uma última vez.

E eu não sonharia mais com meu primeiro namorado. E faria o meu remorso ir embora e eu me perdoaria por tê-lo feito sofrer tanto – com essa minha mania louca de maltratar aqueles que mais amo. E eu traria saúde de volta para alguns amigos queridos. E daria aos amigos solitários a crença de que serão muito felizes, pois Deus não teria criado pessoas tão lindas, para caminharem sozinhas no mundo. E eu não teria vergonha de ainda pensar em ti... E esqueceria aquelas últimas palavras que tu me disseste, e que ainda ecoam na minha mente, como se fossem o barulho agudo de pequenas pedras sendo batidas umas contra as outras, como uma risada irritante de minúsculos duendes malignos. E pararia de sonhar que um dia te encontrarei de novo, e me entregarás algum panfleto na rua e eu te amarei à primeira vista (pela segunda vez). E eu seria mais bonito, e mais homem, e minha voz seria mais grossa, e eu escreveria tão lindamente a ponto destas palavras terem tanto poder que tu não conseguirias viver sem mim. Mas ao mesmo tempo, eu uniria amantes que moram a mais de dois mil quilômetros. Mesmo que estas pessoas fossem tu e ele... Afinal para te ver feliz, eu faria qualquer coisa. E meu coração finalmente esqueceria os passos de uma coreografia imanente e não bailaria secretamente quando tu sentas ao meu lado, nem suspenderia as contrações cada vez que tu danças... Ou quando tu andas com aquele teu andar saltitado de pássaro... Posto que eu te amei, não pela tua voz, nem pelos teus pensamentos confusos, ou pela tua juventude, mas pelos teus gestos conscientes cheios de principio, meio e fim.

Se realmente as palavras tivessem poder, alguém leria estas letras e me amaria na mesma quantidade que eu te amo. E antes de terminar o texto, procuraria meu e-mail em algum canto desta página e me escreveria uma declaração de amor. Pois eu também mereço. E, ao ler estas linhas, tu me amarias de novo e um lindo corvo despontaria em minha janela e eu o seguiria... E ele me levaria a ti. E tu estarias parado, na calçada em frente ao teu prédio (como sempre fazíamos aos domingos na hora do filme) e tu estarias segurando uma nota de cinco dólares, na qual meu nome e meu telefone estariam escritos em vermelho.

E ao entrar no meu carro, eu não perguntaria onde tu estiveste nestes meses... Nem se o amaste mais do que a mim. Porque sei que sim! Eu simplesmente te abriria um enorme sorriso, por não haver no mundo felicidade maior do que esta de te ter de novo.

Se as palavras tivessem poder...

Saulo Sisnando
09 de março de 2012
(e-mail: saulosisnando@hotmail.com)

Ilustração: Pedro Machado





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Saudade em tempos de facebook



Para meus amigos que sentem saudade

Antes eu me perguntava o porquê de sentir tanta saudade. Saudade de tomar banho de mangueira no quintal, pois agora moro em apartamento. Saudade do cheiro do chá de camomila e do colo de minha avó. Saudade de quando meu avô saía de casa e trazia balas de café e de quando ele falava italiano comigo, mesmo sem eu entender nada.

Mas um dia desses, descobri que eu nasci no dia da Saudade - 30 de janeiro. E numa dessas obras do acaso, meu pai me registrou com o nome de Saulo. O que faz com que mais da metade do meu nome seja dominado pela saudade. Sau(lo)dade.

E hoje a saudade, que sempre foi três de minhas cinco letras, tomou conta de todo o meu alfabeto. E desde que tu foste embora, eu fiquei sem nada. Afinal saudade é coisa que ninguém tem. Saudade é não ter! Pois não se relaciona com o amor que ainda tenho, mas com o sentimento que tu tinhas por mim... Mas não tens mais.

Saudade era o lugar onde habitavam teus gestos, teu toque, teu carinho. Saudade é um ambiente dentro de mim onde a luz apagou e tudo se petrificou; um cavo escuro que não ouso tocar, mesmo estando tão perto.

Saudade é voltar pra casa e encarar todos os objetos, e móveis, e quadros, e descobrir que tudo agora tem dois lados. O que os objetos realmente são... E o que eles eram quando tu existias no meu mundo. Saudade é sonhar que tu retornes ao nosso lar e dê sentido à margem direita da minha cama, e traga a vida de volta aos porta-retratos, e aos livros da estante, e aos peixes do aquário.

Saudade é ver comercias de filmes na TV e lembrar que vimos estes filmes juntos. E saudade é nunca mais assistir certo filme do Woody Allen porque foi a primeira vez que fomos ao cinema.

Saudade é manter o teu telefone na minha agenda mesmo sabendo que teu número mudou... E ainda assim discar, sabendo que ninguém vai atender. Saudade é desconhecer teu novo número e fazer milhões de combinações absurdas começando com oito. E saudade... É sentir falta de ti, mesmo sabendo que teu número começa com oito só para ser mais barato falar com teu novo amor.

Saudade é saber que tu nunca mais vais me mandar um SMS dizendo “boa semana”. Ou “boa prova”. Ou “não importa o que aconteça, eu estarei do teu lado.” Saudade é retornar a ligação para todos os números estranhos que me ligam num desesperado sonho de que possa ser tu.

Saudade é esperar por um contato teu no dia do meu aniversário. E passar o dia todo agoniado... Pedindo a Deus para que me mandes um simples tweet dizendo “feliz aniversário @saulosisnando.” E saudade é chorar às 2h00 da manhã do outro dia, quando descubro que tu me mandaste esse tweet.

Saudade é escrever este texto e o meu playlist colocar aleatoriamente aquela música que tanto significava para nós... Saudade é me pegar fazendo coisas, que antes odiava, mas agora faço com prazer e te imaginar dando risada e dizendo: “não te disse que assim era melhor?”

Saudade é te bloquear no facebook. E dias depois criar um fake só para ver a fotinho do teu profile. E lembrar como teus olhos pretos são lindos. Saudade é entrar Orkut para ler os teus antigos depoimentos apaixonados, que ainda estão lá, e que eu tenho tanto medo que, um dia, tu apagues.

Saudade é beijar outros lábios... Para esquecer os teus. E mentir para todos dizendo que já te esqueci. Saudade é ter uma caixinha cheia de lembranças que trouxe de Londres e não ter coragem de entregar. Saudade é sair de casa, torcendo para que alguma coincidência faça teu carro parar ao lado do meu... E eu possa te cumprimentar de longe e teus lábios inaudíveis desenhem um “eu te amo” no vento.

Saudade é o choro que surge enquanto eu digito estas palavras e a desesperada esperança de que as letras sejam fortes a ponto de te trazerem de volta. Porque ainda te amo.

E saudade é a vontade de que o leitor imprima esta página e entregue para aquele amor de quem ainda sente saudade, pois no meu sonho de escritor, já que eu não posso trazer meu grande amor de volta, que estas palavras devolvam ao leitor aquele que nunca esqueceu.

Que o teu volte para ti. E o meu volte para mim. E que o buraco no meu peito se feche. E a saudade seja algo que habite apenas os meus textos passados.

Que tu sejas meu futuro.

Saulo Sisnando

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PARA UM MENINO QUE DANÇA






Parafraseando o texto de Vinícius de Moraes.

Porque és um menino que dança, eu te prometo o meu amor. Pois danças tão lindamente e mexes mais um lado de que o outro. E te amo porque sinto que quando tu bailas não te dissolves em moléculas... Já que teus movimentos em nada repelem a essência, mas unes sensações e sentimentos, edificando a nossa volta uma muralha que nos protege da mais violenta onda do mar.

E tua dança parece ser feita da mesma eletricidade que corre no meu sistema nervoso... Porque teus movimentos não são calma ou quietude, mas são meu frêmito... Minha paixão! Tua dança é a eletricidade que nos conecta e nos enlaça num só corpo etéreo. E cada vez que bates teu tênis colorido no chão, meu peito treme e eu sinto como se (nesse segundo) tu restituísse ao universo a quantia cósmica que roubamos de Deus no ato da criação.

E porque és um menino que dança, tens essa mania de ser tão sentimental, chorando por motivos desconhecidos, e voltando para casa a fim de dar um ultimo abraço na mãe. Tragédia? Frescura? Excesso de sentimentalismo? Não! Fazes estas coisas encantadoras pelo simples fato de seres um menino que dança, e teres uns dentinhos tortos e salientes que deixam teu sorriso encantador. E são dentes tão incrivelmente alvos que se destacam do teu rosto de barba sempre mal feita e de óculos de lentes transitions que sempre arrebentam as alças e me impedem de ver teus olhos brilhando no sol.

Porque és o menino que dança, nos demos apelidos estranhos e me ensinaste a dançar. E dançaste tão junto de mim que sinto como se nunca mais estivesse sozinho... E viajo para outros continentes... E vou pra Londres... E, neste meu amor, lembro de ti ao ver Billy Elliot. Pois tenho certeza de que terias feito melhor... Simplesmente porque te enxergo com olhos míopes apaixonados que expelem lágrimas pelo teu simples movimento de braços.

E porque és um menino que dança, tens muitos fãs. E dormes em muitas casas me matando silenciosamente de ciúmes. Porque eu amo este menino que dança, mesmo que, na nossa timidez, nunca falemos nada. Afinal sempre nos comunicamos melhor por SMS, quando podemos diariamente dizer vários “eu te amo” sem um ver o olhar constrangido do outro.

E por seres este menino que dança, vieste do Tapanã até aqui só para me dar um abraço antes de tua viagem para Fortaleza... E perdeste a carona quando acreditaste que eu estava ainda em casa, antes de minha viagem para Paris. E não pudeste mesmo me dar um último abraço... Mas pelo telefone, com tua voz miúda, foste tão gentil que senti teus braços cortando dimensões e me envolvendo levemente mesmo estando quilômetros afastados um do outro.

E porque és o menino que dança, eu te amo, pois sempre entras suado no meu carro – após o ensaio – deixando o teu cheiro no ar por algumas horas após a despedida, e porque sempre vais comigo tomar suco no Batistão e ficamos dando “tchau” para desconhecidos que passam na frente do carro. E eu sempre vou te amar, mesmo sabendo que um dia me deixarás... Porque teu sonho é perambular pelo mundo... Nessa tua alma cigana ou mambembe... Mas eu te deixo partir, afinal não é justo que eu monopolize a visão de tua aura mudando de cor a cada giro que tu dás num palco.

E porque és um menino que dança e nunca recebeu flores de um grande amor... Que te prometo um beijo e espero que sintas em mim o perfume das flores que tu nunca recebeste. Porque, pelo meu amor por ti, eu te levaria para morar numa casa com um enorme jardim, cheio das mais diversas flores, só para que diariamente pudesse colher a mais bela flor para te dar. Independente da estação do ano. Afinal eu te amaria na neve ou no sol escaldante.

Isso tudo só porque tu és um menino que dança... E somente porque os pássaros comeram as migalhas de pão e eu esqueci caminho de volta... E apenas porque não sei mais viver sem te ver dançar.


Saulo Sisnando
08.01.2012

domingo, 20 de novembro de 2011

Eu te tirei de minha prece diária








depois de confessar para minha amiga Martinha,
confesso para o mundo.

Tu, decerto, pensarás que é bobagem... Não é!
Mas finalmente consegui te tirar de minha prece diária.
Chorei. Te confesso.
Chorei, sobretudo, quando disse aquela frase “se for conforme vossa santíssima vontade e para a salvação de minha alma”,
pois, por muito tempo, pensei que nosso namoro era conforme a santíssima vontade.
Não era.
Ok. Pode ter sido. Não é mais.

Não te preocupes... Não pedi teu mal. Nem te chamei de nomes feios.
[Tenho reputação a zelar com a santa.]
Apenas censurei teu nome. Falando mentalmente Piiiiiiii no lugar dele.
Até porque ele já me parecia parte integrante da reza, e toda vez eu tentava te tirar de lá,
assim, como se por esquecimento
Eu me perdia... naquela parte que diz “por séculos e séculos amém”

Também nem chorei muito. Só um pouco.
E nem fiz barulho.
[tu sabes que sempre soluço alto quando a primeira lágrima desponta no olho]
Mamãe, no quarto ao lado, nem ouviu.
Olha lá, que orgulho!
Me senti forte que só.
Um He-Man.
[Mas sem o gato guerreiro. E sem a Teela. E sem o Gorpo. E sem aquela ave que não lembro o nome, mas voava tão lindo.]

Descobri que algumas coisas nunca vou entender.
[que profundo!]
E outras, nem Santa Terezinha das Rosas poderá resolver.
[que a santa me perdoe a falta de fé!]

Se ela quiser, pode te trazer de volta.
Não a proíbo! Ainda te amo.
[E quem sou eu de repreender a santa?]

Mas o fato é que eu te tirei, sozinho, de minha prece diária.
E por isso... Eu dormi cheio de orgulho.

Saulo Sisnando escrevendo como
o nada.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Saulo Sisnando: "A procura de sua molécula perdida"

Entrevista feita por Landa de Mendonça
e publicada no blog Meninas Convencidas,
em 16 de novembro de 2011.


Hoje aqui no nosso Blog, eis que consigo realizar um sonho antigo: entrevistar um dos mais atraentes (em todos os sentidos! hehehehe) e talentosos artistas da minha geração, meu amigo e meu querido Diretor, Saulo Sisnando!
Definir Saulo Sisnando? Bom, eu só me arrisco em classificá-lo como “Adorável”!

Escritor, Dramaturgo, ator, mestrando e funcionário Público do Tribunal de Justiça até às 14h, este Cearense/Paraense formou-se em Direito pela Universidade da Amazônia no mesmo ano em que concluiu o curso Técnico de Ator na Escola de Teatro e Dança da UFPa.
Teve vários contos premiados e publicados pela UFPa entre 2002 e 2003. Em 2005 lançou seu primeiro livro, o “Puzzle: tenha fôlego para chegar ao fim!”, uma fantasia de terror infanto-juvenil (Editora Novo Século).
Em agosto de 2007, sem grandes ambições e montado com custo quase zero, estreou o primeiro espetáculo como dramaturgo.
“Útero – Fragmentos românticos da vida feminina” foi um sucesso estrondoso e inesperado. Diariamente filas espectadores formavam-se em frente ao teatro, em busca de um ingresso para o espetáculo, que levava para o palco, sem mitos ou tabus, o universo feminino das mulheres de Belém.
Embora tenha ficado apenas um mês em cartaz, “Útero – Fragmentos românticos da vida feminina” deu credibilidade ao novo dramaturgo, que, aproveitando o sucesso da peça, não deixou a peteca cair e produziu outros espetáculos de sucesso como “popPORN – Sete vidas e infinitas possibilidades de corações partidos”, “Cartas para ninguém” e “Quatro versus Cadáver”, modificando a atual cena paraense e levando multidões aos teatros, provando que espetáculos teatrais podem ser muito divertidos.


Rapidamente, o humor simples e os personagens facilmente reconhecíveis de Saulo Sisnando, fizeram seus textos teatrais migrarem para outros centros urbanos, “popPORN” foi montado no Rio de Janeiro sob o título “Os neuróticos” (Teatro Vanucci no Shopping da Gávea/RJ) e “Útero” foi montado pela companhia paulista “Fé Cenica”, com muito sucesso em São Paulo.
Em 2010, Saulo Sisnando estreou seu projeto mais ousado “O incrível segredo da Mulher-Macaco”, com os atores Wendell Bendelack (do espetáculo “ Surto”) e Rodrigo Fagundes (do programa de TV “Zorra Total”), uma super produção, que estreou no FITA – Festival Internacional de Teatro de Angra para uma plateia recorde de 2000 pessoas.
Em 10 anos de teatro, Saulo Sisnando já participou, seja como ator, diretor ou escritor, de 15 espetáculos.

Outro dia numa conversa ele soltou uma frase marcante:

" Sou um escritor em busca de minha molécula perdida"

Pra vocês, uma amostra desse tabuleiro de palavras, inteligência e bom humor que é Saulo Sisnando:

MC - Você lembra o dia em que você percebeu que seria um artista?
Eu me descobri artista no dia em que a Sonia Lopes (minha iluminadora) me contou que uma moça tinha se casado por causa de uma peça minha. Contou-me que havia um carinha que sempre dava bola para essa moça, mas ela nunca estava nem aí pra ele... Então, depois de ver uma peça minha, pensou sobre ele... Sobre o amor... E decidiu dar uma chance. [Reza a lenda que estão casados e muito felizes]. Para mim, arte é isso. É modificar a vida do outro. Poder fazer algo de bom para a plateia.

Sempre imagino que, sentadas nas poltronas, estão mães que perderam seus filhos, filhos que perderam seus pais, amantes que estão longe de seus grandes amores... Se eu puder ajudá-los, nem que seja por uma hora, estarei satisfeito. Minha vida estrá plena. Isso é ser artista.

MC - E como você consegue administrar a sua vida de escritor, ator, diretor, dramaturgo e funcionário publico até as 14?
Não acho nada complicado. A única complicação que encontro é quando tenho de preencher formulários, porque nunca sei o que colocar no espaço destinado à profissão. Mas no resto do tempo, acho normal. As coisas só são extraordinárias quando estamos vendo de fora. De dentro é simples.

Além do mais... Quem de nós não é mil coisas ao mesmo tempo? Há mulheres que são advogadas de manhã, mães em tempo integral, esposas na parte da noite... E ainda vão para academia, fazem Ioga, supermercado, levam bichos no PetShop e tem tempo de se maquiar e se equilibrar em saltos altos... A vida de todo mundo é um caos. A única diferença é que escolhi profissões de nomes bonitos.

MC - Quais as suas influências nas suas obras como escritor e Dramaturgo respectivamente, e suas referencias de ator?
Tenho muitos livros de cabeceira e muitos atores, que queria ser igual. Mas acho que o me influencia mesmo é a vida. São os corredores do meu local de trabalho... São as fofocas que ouço quando estou no meu canto carimbando processos... São as histórias das ascensoristas de elevador... São os segredos que me contam as vendedoras de AVON, que semanalmente levam seus catálogos para eu ver...

O que me influencia são as histórias sempre loucas de meus amigos, que me ligam e dizem: “tenho uma pra te contar”. E são minhas próprias histórias de amor... Que (in)felizmente terminam em muitos desencontros, risos e um tico de lágrimas.

Claro, Claro. Eu amo a Patrícia Melo, a Agatha Christie, a Lygia Fagundes Telles... Mas não acredito que elas me influenciem... Porque não sabem nada do meu mundo... Da minha vida. E a minha visão de mundo que eu quero contar.

MC - Como é ser artista em Belém? Existem dificuldades (tanto para reunir um elenco, produção e afins) e se houverem o que você faz para vencê-las?
Estou para ver um lugar no mundo(!) onde seja fácil ser artista. Estou certo de que a Meryl Streep e a Fernanda Montenegro, antes de serem quem são, passaram por muitos perrengues. Isso é... se ainda não passam!

Belém tem seus problemas. O rio tem outros tantos. É difícil em qualquer lugar! Mas só há um jeito de vencer as dificuldades: fazer! O povo teoriza demais, discute demais, espera demais, reclama demais. Ok. Ok. Gente, agora vamos fazer?

Todo mundo sabe que é difícil ser artista... Que vivemos numa dificuldade financeira do caramba. Temos de lutar para mudar isso. Certo! Mas não vai ser para agora... Isso não vai mudar com o próximo raiar do sol.
Então, quer apenas ganhar dinheiro... Sei lá... Vai ser dentista! (aliás, nem sei se dentista ganha bem)

MC - Você já teve textos seus dirigidos por outros diretores em diversos cantos do Brasil? Como é pra você, que sempre dirige seus textos, vê-los ganhar vida pelas mãos de outro diretor?
Não vejo problema nenhum em ver meus textos sendo dirigidos por outras pessoas. O meu texto é uma peça literária encerrada. Findou-se em si mesma no momento em que a imprimi. O que fazem no palco com ela, é uma versão de uma peça literária. Não é mais apenas meu. Haverá, na montagem, um pouco da história do diretor, dos atores, dos iluminadores, dos sonoplastas, etc.

O grande problema é quando diretores incompetentes fazem bobagem com a montagem e depois culpam o texto. Eu já passei por isso... Vi uma montagem extremamente homofóbica e preconceituosa de um texto meu. E o texto era o completo oposto. Aí, quando acaba... Os espectadores olham bem na cara do escritor e dizem: “bastardo!” e depois cospem no chão.

MC - Verdade que já te chamaram de Woody Allen dos trópicos?
Já me chamaram de tudo. Vivem comparando o que eu faço com o Woody Allen (que eu, sinceramente, acho que não tem nada a ver), com o Almodóvar, com o Hitchcock.

A verdade é que as pessoas gostam de rotular.

Viram uma peça minha e um filme do Almodóvar e já se sentem no direito de dizer que eu o copio. Essa mania de todo mundo ter de ser intelectual. De fingir que entendem do assunto.

Dia desses disseram que uma peça minha era “cópia” de uma outra, que eu nem tinha visto... ao que respondi: “eu e o outro autor estávamos intuídos pelo mesmo espírito e psicografamos a mesma peça”. Não tinha outra explicação!

Depois vi a peça do outro cara e descobri que não tinha nada a ver. Era intriga pura e simples.

MC - Verdade que você adora trabalhar com "não atores"? Como é o processo? É melhor, pior ou apenas diferente?
Eu gosto porque, como eles não são do meio, não estão cheios de vícios da profissão, eles têm umas ideias muito loucas... Que os atores experientes não teriam.

Mas obviamente dá trabalho ensaiar com não atores... Porque você tem de explicar tudo... Dizer como falar, como andar, como existir num palco. Hoje em dia, ando preguiçoso... Prefiro não apenas trabalhar com atores, mas trabalhar com os MEUS atores... Aqueles que quando eu digo “vai ali e fa...” e antes de terminar a frase eles já fizeram.

MC - Como veio a decisão de fazer o mestrado?
Não veio.
Me disseram: “tem um mestrado aberto”. Eu disse: “beleza”. Fui lá, fiz a prova e passei. Como já disse, não problematizo muito. Eu faço!

Queria, também, refletir um pouco sobre meu processo criativo. Queria conhecer novas pessoas. Ler novos livros. E, quem sabe, um dia ser professor numa Universidade Federal. Trocar um cargo público por outro.

MC - E sua estreia no Rio de Janeiro? Como repercutiu no Pará?
Não repercutiu. A não ser aqui em casa... Foi a maior festa. Meu pai e minha mãe ficaram muito felizes. (risos)


Não acredito muito nesse lance de repercussão e reconhecimento. Isso é tudo ilusão. Entra peça e sai peça e eu continuo na mesma casa, com os mesmos amigos, comendo pizza na mesma pizzaria.

Aqui em Belém, sou até “meio” famoso. Mas de que serve? Continuo encalhado... Se me dissessem: “o reconhecimento vai te trazer o amor da tua vida”. Eu ia passar meses sem dormir e ia fazer uma peça incrível. Mas até alguém me garantir isso, eu vou fazendo as peças pensando apenas no que sempre penso: em estar com meus amigos e em ser feliz. Essas são as duas razões que me levam a fazer teatro.


MC - Quais os seus planos a curto, médio e longo prazo?
Só tenho um plano: encontrar um grande amor e ser feliz com ele. Quem quiser se candidatar, veja minhas fotos no Facebook (não uso photoshop) e me mande um e-mail bem fofo.

MC - Um passarinho me contou que você deve deixar Belém em breve, é verdade?
Sim! Fui numa cartomante que me disse que meu grande amor mora no Rio. Então decidi fazer meu doutorado na cidade maravilhosa. Tolos são aqueles que não acreditam em cartomantes.

MC - Alguma peça na manga?
Várias. Mas todas ultra secretas.

Eu só conto de minhas peças às vésperas da estreia. Porque às vezes nós falamos... E por algum motivo a peça não rola... Aí sempre vem um babaca, mete o dedo na tua cara, e diz: “é, né, disseste que ia fazer tal peça e nem fizeste. Só furo”.

Mas o lance (dica minha) é ter muitos projetos. E ir fazendo todos ao mesmo tempo. Porque UM deles (por DEUS!) vai ter de sair...

MC - Defina Saulo Sisnando em uma palavra?
Não posso me definir em uma palavra. Somos uma palavra nova a cada dia. Infelizmente a palavra que sou hoje, não posso revelar, por ser um nome próprio.

Não dá vontade de conhecer tudo que ele escreve e mais sobre ele? Então fiquem espertas que sempre estaremos divulgando!!!
Aqui está o link para você ler dois textos lindos do blog dele!! No blog, você vai saber (quase tudo hehehe) sobre ele, enjoy!!!

Texto 1: As moléculas. O amor. E as estrelas cadentes.
Texto 2: Minha Carteira Nova