quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Feliz 5 anos



Há cinco anos, tu te foste para o nunca mais.
E contigo se foram teus atrasos, que já eram nossos, e teu ritmo, no qual alicercei as batidas do meu coração.
Foste para o nunca mais com com um adeus seguido de sete palavras que me aprisionaram, “eu te amo, um dia eu volto”.
E armado com estas letras, levaste contigo minha essência, deixando em meu peito apenas um cavo jamais preenchido por qualquer alegria (ou dor alguma) desse mundo. Pois nada, por mais agudo que venha a ser, é capaz de ocupar a vaga de um coração retirado. Porque só tuas mãos têm a combinação de quatro letras capaz de fazê-lo bater novamente no meu peito:
A.M.O.R.
O meu amor!
E nestes anos todos, nada fez meu coração voltar ao canto.
Por vezes, sentia algo batendo no tronco, mas logo percebia ser uma ilusão, uma miragem, um holograma, que se dissipava em bruma e passava habitar o intervalo das letras de textos, do virar das páginas, dos vãos dos teatros, dos oitos de uma música.
Nesses cinco anos, te bloqueei nas redes sociais, para depois te desbloquear e descobrir que te amei tanto que... Longe ou perto... Sabendo ou não... Tu sempre me farás falta.
Nestes tempos sozinhos, meus ídolos morreram. Os filmes que vimos juntos, começaram a passar na Sessão da Tarde. E não consigo mais lembrar da tua voz.
Forço a mente para centrar-me em uma lembrança nossa... Mas não consigo. Tudo que lembro é do depois... Ou do antes... Nunca do durante. Pois nosso “enquanto” foi tão especial, que preciso eclipsá-lo em estômago em vez de relembrá-lo vívido. Pois nos ter juntos numa lembrança é algo insuportável para alguém sem um coração no peito a bater.
Na passagem do tempo, as sete palavras perderam o encanto. E hoje deram lugar a outra combinação de letras, que me dizem em gestos: “eu não sei mais quem é você”. E a nossa cidade, virou duas cidades separadas por milhares de quilômetros. E nossa arte não é mais vista um pelo outro. E nossa existência é como a vida de uma formiga, que carrega um peso enorme sobre as costas, mas o homem – tão grande – não consegue ver.
Mas mesmo que estejas cego e independente da combinação de palavras ou da beleza de teus novos amores. Tu sempre terás meu coração: de músculo, de carne, de lã, de pluma e de holograma. Pois tu és a pessoa que sabe a sequência de notas capaz de fazer minha alma dançar.
Não me importa a distância, a vegetação ou o teu novo sotaque.
Tu és a voz dos siris, a força da oração, a energia que pulsa entre os oitos de uma música e a imaginação que me surge quando uma luz apaga e a casa fica escura.
Sinto saudade, mas “Feliz cinco anos, meu amor”. Cuide bem do meu coração. Por mais cinco. Dez... Ou milhares de anos.
Que muitos novos corações te sejam dados. Mas que guardes o meu com desvelo, pois um dia estaremos juntos de novo. Nem que seja na próxima vida... quando formos pássaros celestes.
Saulo A. Sisnando
18 de agosto de 2016.

21h52min