Eu não sabia, mas sempre amei demais o meu pai. Minha mãe conta que, quando eu tinha 4 anos, toda vez que ele saía, eu fechava a mão com força e só abria quando ele voltava para casa. Levaram-me a psiquiatras, neurologistas, médicos de toda espécie, porém logo descobriram que, em vez de uma doença, eu sentia apenas saudade. Meu pai começou a ficar mais tempo em casa, largou o cargo que o obrigava a viajar e eu nunca mais fechei a mão. Ela ficou aberta, como se estivesse sempre esperando um aperto, um carinho, um simples toque... mas nunca veio! Eu e ele nunca conseguimos ser próximos. Eu tinha a impressão de que não éramos chegados porque ele não queria encarar a verdade... Não queria ver que tinha um filho gay. Na adolescência, para tentar uma aproximação, minha mãe insistiu para ele me levar todos os dias ao colégio antes de ir ao banco no qual trabalhava. Não era um longo caminho, mas passávamos uns 20 minutos enclausurados naquele carro silencioso... Ele não dizia nad...
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