segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Para o grande amor da minha vida



Sou solteira. Sim! Solteiríssima! Convicta! Não sou solteirona, nem titia, nem encalhada. Por isso, fico P* da vida quando alguém me pergunta se não sinto falta de um grande amor. Como é que é? Quem foi que disse... Onde está escrito que o grande amor de sua vida precisa ser alguém com quem você transa? Nossa!, que visão mais tacanha. O amor é muito mais do que sexo. Aliás eu acredito que amor e sexo só se confundem mesmo na TV e nas comédias românticas... Pois na vida real esses dois institutos podem viver muito bem distantes um do outro.
Eu, por exemplo, tenho um amor. E este amor é tão grande e tão completo, que nem preciso transar com ele, para afirmá-lo meu. Mas sem duvida é amplo. Imenso. Via lácteo. É tão extraordinário, que decerto deve ser cármico, ou cósmico, ou, em último caso, apenas uma maravilhosa obra do acaso. Mas o que importa é que está aqui... Ao meu lado. Vivendo em alma dentro da carne do meu melhor amigo.
Sim, eu amo o meu melhor amigo! Porque é para ele, o melhor amigo, que eu ligo quando meu carro quebra. É para ele que pergunto a melhor configuração do computador, que quero comprar; os DVDs, que devo locar, e os quadros, que tenho de colocar na sala. É com meu amigo que cultivo o sonho de montar uma editora e é ele que, mesmo sem querer, me prende a Belém, pois toda vez que penso em ir embora, sei que não terei coragem de ir deixando-o aqui... Afinal sempre fomos dois contra o mundo.
Foi ao lado dele que, ao longo dos anos, superei o bug milênio, o apagão e as profecias do Nostradamus. Foi ele quem me fez conhecer o mundo dos quadrinhos e as profundidades da língua inglesa. E é com ele que estou, duas vezes por semana, nas aulas de francês... Reclamando da professora, do método, das reformas da escola, mas feliz por estar ao seu lado. E muito obrigada, melhor amigo, por ter sido o primeiro a embarcar numa loucura de virar artista, só porque eu estava precisando de um ator para uma peça que ninguém botava fé. E não é que tornou-se um Raul Cortez marajoara!?
Eu o amo de maneira tão certa e segura, que sei que será a sua mão que irei segurar quando eu publicar meu livro e serei eu quem estará presente, na primeira fila, no dia da defesa de sua tese de mestrado, mesmo que eu não entenda patavina sobre reengenharia de software.
Eu o amo muito... E tanto... Que às vezes tenho medo de perdê-lo de repente. Num instante. Por isso o incluí em minhas orações, pedindo a Deus para que me leve primeiro, visto que não terei forças de vê-lo partir antes. Mas, por outro lado, sei que não suportaria me ver partir também.
Portanto, meu Deus, diante deste impasse, te peço: nos leve bem velhinhos... Mas juntos... Nalgum acidente aéreo relâmpago, que não dê nem para sentir dor ou medo, só para que eu não precise sofrer sua ausência, nem ele sofra a minha. Posto que, nesta última fronteira, será a mão dele que desejarei apertar, até que recomece tudo de novo... Juntos... Num outro tempo... Num outro planeta, ou neste... Quem sabe...


Saulo Sisnando
escrevendo como
“Maria Eduarda”

Um comentário:

  1. Que fofo! eu sou dada a essas coisas de demonstrações públicas de afeto.

    E não se esqueça de escolher beeeeem o seu melhor amigo, afinal o "me diz com quem tu andas que eu direi quem tu és" é certo, até Freud concorda kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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