segunda-feira, 14 de março de 2016

Eu te amo dentro dos números



Inspirado pelo vídeoclique “I see you, You see me”,
do Magic Numbers.
(Clique Aqui para assistir)

Ontem, uma amiga me perguntou:
“O que eu preciso fazer?”
E eu disse: “Você precisa parar de bater em portas que não vão abrir. Eu fazia isso E doía demais!”
Hoje, ainda pesa. Até mesmo aperta o peito e dispara o coração!
Por isso, meu amor, decidi te assumir em mim e aceitar que uma parte do meu corpo já é feita do sorriso, do teu andar, do teu suor, da tua risada e da tua ausência.
E como te aceitei meu, parei de bater à tua porta em busca de uma migalha para me fazer feliz. O que eu preciso de ti, já está em mim.
E desde que parei de suplicar teu carinho: tudo melhorou! Quando descobri que eu posso sim ser feliz sozinho, que não preciso de alguém para dividir e cama e, talvez, no futuro, registrar comigo um filho, tudo ficou mais fácil.
O que ainda é difícil, é lidar com os números. Sobretudo o número 72.
Não sei em que momento deste confuso emaranhado de fios, no qual não sei mais o que é "meu" ou "teu", esse número ficou. Datilografado na minha alma. Sussurrando baixo, pulsando devagar, lembrando-me de ti... Mas sem aflição.
E toda fez que esse número aparece...  Tu me vens a mente. Pois não há nada mais romântico do que a matemática...
Que rege o universo...
Que conta as linhas das páginas de “O amor nos Tempos do Cólera”...
E as sílabas de um poema de amor.
O 72 é o vestígio do teu amor em mim, pois são os dois únicos números que eu lembro fazerem parte de algo que foi teu.
Já passei da fase de ver teu carro nos semáforos, de perceber o quanto teu nome é comum e de como teu cheiro era único. Porque todas essas sensações eram apenas “eu” batendo na “tua” porta.
Mas o 72...
Ah! Quando saio na rua e tantas vezes esse número se materializar como mágica em placas, cartazes, panfletos, eu tenho certeza de que é você, meu amor, usando a linguagem matemática de Deus, para bater à minha porta.
É esse 72 que salta aos meus olhos em um número de processo qualquer, que brilha em dourado na porta do meu quarto em Roma, no e-ticket da minha passagem para o Rio ou na poltrona do trem em Veneza... e são os 72... os 2.172 quilômetros que nos apartam nessa terra, que me dá forças para continuar essa caminhada sozinho. Porque sinto que, mesmo de longe, às vezes tu seguras em minha mão.
Eu não bato mais em tua porta.
Não peço a paixão que sei não teres de volta... Eu posso caminhar sem ninguém, além de Deus e os números, ao meu lado.
Mas te agradeço por seres meu número da sorte e, nos momentos mais difíceis, cortares estradas interestaduais só para me dares um terno abraço.
Eu te amo, meu amor!
Eu te amo em batidas de coração.
Em letras... E em páginas de livros...
Te amo entre os oitos de uma dança...
Eu te amo do 1 ao 72, para sempre... Considerando todo o infinito que há entre esses dois números.


Saulo Sisnando
14.03.2016
Dia da poesia

4 comentários:

  1. Obrigada Cheri... Refleti que enquanto sentir vibração do outro, vou bater na porta e se não for ouvida vou gritar! Kkkkkk

    ResponderExcluir
  2. Adoro o clip, adoro a banda, adoro o livro O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA e adoro sua arte! Parabéns pelo texto, aliás cheio de situações que nos fazem parar de ler e tentar formar uma imagem... ;)

    ResponderExcluir